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EUA abdicam de comandos da NATO para Sul da Europa e Norte

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Foto Shutterstock

Os Estados Unidos vão abdicar da liderança dos comandos da NATO para o do sul da Europa e para o norte e assumir o Comando Marítimo Aliado, no Reino Unido, noticiou a agência AFP.

Citando fontes diplomáticas, a agência noticiosa adianta que Washington irá abdicar da liderança do Comando Conjunto Aliado (JFC, na sigla em inglês), sediado em Nápoles (sul de Itália) e focado nas operações na região sul da Europa e do Atlântico, que será assumido por Roma.

Também o JFC em Norfolk (leste dos Estados Unidos), focado no norte, deixará a liderança norte-americana e passará para o Reino Unido, segundo as mesmas fontes, que confirmaram informações reveladas pelo jornal francês La Lettre.

Os JFC são os comandos operacionais responsáveis pelo planeamento e condução de potenciais operações da NATO.

O terceiro JFC, focado na região leste da Aliança, está sediado em Brunssum (Países Baixos) e é atualmente comandado por um oficial alemão. 

Segundo a AFP, as forças norte-americanas vão assumir o Comando Marítimo Aliado (MARCOM), sediado em Northwood, na Grã-Bretanha.

Estas mudanças deverão ser implementadas dentro de alguns meses, disseram dois diplomatas da NATO à AFP sob anonimato.

"É um bom sinal de uma transferência de facto de responsabilidades", afirmou uma fonte.

Os Estados Unidos têm o papel militar central na NATO desde a sua criação, em 1949.

Vão agora exercer o comando central dos três ramos da NATO: forças terrestres (LANDCOM), forças marítimas (MARCOM) e forças aéreas (AIRCOM). 

O cargo de comandante supremo aliado na Europa (SACEUR), um posto estratégico, continuará a ser ocupado por um oficial norte-americano, tal como acontece desde a criação da Aliança.

O cargo mais "político" de secretário-geral é tradicionalmente ocupado por um europeu, atualmente o neerlandês Mark Rutte.

O The Washington Post noticiou recentemente que o Departamento de Defesa (Pentágono) dos Estados Unidos planeia reduzir a participação do país em elementos da estrutura de forças da NATO e em vários grupos consultivos da aliança.

O jornal, que citou várias autoridades norte-americanas ligadas ao processo, referiu que este é o mais recente sinal da iniciativa da administração liderada por Donald Trump de reduzir a presença militar na Europa.

A mudança está a ser equacionada há meses, de acordo com duas autoridades norte-americanas, uma das quais disse não estar relacionada com as crescentes ameaças do Presidente Donald Trump de tomar o território dinamarquês da Gronelândia.

As provocações de Trump atraíram uma ampla condenação de líderes europeus e de muitos legisladores no Congresso, que temem que o chefe de Estado republicano corra o risco de causar danos irreparáveis e desnecessários à aliança.

Sob pressão da administração Trump, a aliança concordou no verão passado em aumentar as despesas com a defesa para 5% do PIB nos próximos 10 anos, incluindo 1,5% destinados a infraestruturas e outros projetos civis.

A NATO tem em curso o exercício Steadfast Dart 26, com participação de forças portuguesas e de outros aliados, mas sem forças norte-americanas. 

Com cerca de 10.000 militares de onze países aliados, o Steadfast Dart 26 faz parte do treino da Força de Reação Aliada (ARF, na sigla em inglês), uma força de reação rápida da Aliança capaz de ser mobilizada onde for necessário, dentro e fora dos Estados-membros, em poucos dias. 

O principal objetivo do Steadfast Dart 26 é demonstrar a capacidade de desdobramento rápido e a convergência no tempo e no espaço com o resto das forças da AFR.

Em conferência de imprensa na semana passada, o general alemão Ingo Gerharzt, chefe do Comando da NATO na Europa Central negou que a ausência de forças norte-americanas no exercício deste ano estivesse relacionada com as tensões em torno da atual política internacional dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.

"Não fazem parte do exercício deste ano, mas poderão fazê-lo nos próximos anos", garantiu o general alemão, acrescentando que a NATO conta com "um forte contributo dos EUA".