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Madeira

Deputados não ficam convencidos com esclarecimentos da ANA

Thierry Ligonnière, director-geral da ANA - Aeroportos de Portugal, foi ouvido esta tarda na Assembleia Legislativa da Madeira, no âmbito da audição parlamentar a respeito do Aeroporto da Madeira e a respectiva gestão

Thierry Ligonnière veio acompanhado de Edgar Carvalho, director do Aeroporto Internacional da Madeira - Cristiano Ronaldo.
Thierry Ligonnière veio acompanhado de Edgar Carvalho, director do Aeroporto Internacional da Madeira - Cristiano Ronaldo., Foto Rui Silva/ASPRESS

Os deputados que integram a 2.ª Comissão Especializada Permanente de Economia e Mar da Assembleia Legislativa da Madeira saíram com muitas dúvidas da audição ao director-geral da ANA - Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière, que decorreu esta tarde no parlamento madeirense, tudo porque entendem que os esclarecimentos dados não foram esclarecedores. 

O também vice-presidente executivo da VINCI para Portugal deixou, ainda assim, algumas informações relevantes quanto à gestão dos aeroportos da Madeira e do Porto Santo, nomeadamnete no que toca a investimentos já feitos e previsões para o futuro. 

Os deputados insistiram, sobretudo, na questão do incumprimento quanto às obras na gare do Porto Santo e nas estratégias para captar nossas companhias para a 'Ilha Dourada', mas também na falta de estacionamentos no Aeroporto da Madeira, na reviisão dos limites de vento e no alcance do plano de contingência perante situações de inoperacionalidade da principal porta de entrada na Região.

Só depois de quase duas horas e meia de audição, Thierry Ligonnière confirmou que o concurso para as obras no Aeroporto do Porto Santo será lançado este ano, depois de ter sido anulado em 2024 perante o aumento de 65% de custos face à estimativa apontada, sem que tivesse sido encontrada uma explicação para esse agravamento dos custos, segundo o próprio. Há previsão de que as obras deverão avançar no início de 2027, devendo os trabalhos ficar concluídos só em 2029. Depois disso, o aeroporto duplicará a sua capacidade, passando de três para seis aeronaves por hora. 

Até lá, há a garantia de melhorias nas condições disponibilizadas aos utilizadores daquela estrutura, nomeadamente os residentes, com notas deixadas para intervenções na sala de embarque ou na plataforma, na pista, entre outros aspectos, conforme complementou Edgar Carvalho, director do Aeroporto da Madeira - Cristiano Ronaldo, que acompanhou o responsável pela ANA - Aeroportos de Portugal nesta deslocação ao parlamento madeirense.

Sobre o plano de contingência do Aeroporto da Madeira, Thierry Ligonnière foi claro ao afirmar que o Aeroporto do Porto Santo não é viável como alternativa. Deu como justificações não só a capacidade logística instalada e as dificuldades com as ligações marítimas (havendo também mau tempo no mar), mas também as condicionantes das próprias companhias, nomeadamente os limites de horas de voo das tripulações, os custos com combustíveis e, acima de tudo, a disponibilidade das aeronaves. 

Ainda sobre o plano de contingência, deu conta das conversações que têm existido com todos os stakeholders ligados à operação, incluindo o Governo Regional, referindo, inclusive, que a ANA - Aeroportos de Portugal já havia sugerido a criação de um fundo de reserva a partir de parte dos ganhos com a taxa turística, para suportar as despesas com os alojamentos quando à constrangimentos e os passageiros ficam retidos na Madeira, sem que isso fosse um acréscimo de despesa para as companhias aéreas.  

Quanto aos limites do vento, coube a Edgar Carvalho apontar que teremos novidades até ao final do ano, notando as acções que têm sido desenvolvidas pelos dois grupos de trabalho criados para o efeito, com a coordenação da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). 

O 'masterplan' para o Aeroporto da Madeira foi várias vezes usado como argumento pelo director-geral da ANA - Aeroportos de Portugal, tendo várias vezes salientado, em resposta às questões colocadas pelos vários deputados, que ao abrigo das planificações traçadas a médio prazo, foram já criados, no último ano, cerca de 200 novos lugares de estacionamento, garantindo que há havenças disponíveis para funcionários ou mesmo para rent-a-cars. 

Nesse sentido, e focando-se na questão da mobilidade das centenas de trabalhadores directos da estrutura aeroportuária, Thierry Ligonnière não se coibiu de pedir melhor transportes públicos, nas horas em que os mesmos sirvam os interesses dos trabalhadores, para aliviar a pressão automóvel na área. 

Um outro aspecto que fez os deputados dos vários quadrantes políticos falarem a uma só voz foram as taxas aeroportuárias, e a necessidade da sua redução, sobretudo depois do responsável pela ANA - Aeroportos de Portugal ter apontado que "as taxas não são assunto". Jaime Filipe Ramos (PSD) foi o mais incisivo no rebate dessa posição, acompanhado, também, por Gonçalo Leite Velho (PS) e por Basílio Santos (JPP). 

Por várias vezes Ligonnière procurou explicar que o crescimento da operação comprovam a sua leitura da situação, juntando à argumentação o facto de o preço dos bilhetes ter diminuido e a maior concorrência entre as companhias trazer benefícios para o passageiro. Referiu, ainda, que desde o início da operação da VINCI, as taxas já reduziram 27%. 

Ainda assim, os parlamentares não se mostraram convencidos e esse foi um assunto várias vezes apontado. A par disso, diversas vezes evidenciaram a necessidade de mais investimento por parte da concessionária dos aeroportos nacionais, que entendem não estar a acompanhar o crescimento verificado. 

O pedido de audição ao director-geral da ANA - Aeroportos de Portugal, intitulado 'Aeroporto da Madeira e a gestão da ANA - Aeroportos de Portugal' foi da autoria do da autoria do PSD/CDS-PP.