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PR considera que falta de porta-voz gerou ideia de ausência das Forças Armadas

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O Presidente da República contestou hoje que as Forças Armadas tenham chegado muito tarde ao terreno depois da tempestade Kristin, mas considerou que a falta de um porta-voz gerou a ideia de que estavam ausentes.

O chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas falava aos jornalistas no Cartaxo, no distrito de Santarém, depois de ter ido de barco visitar a povoação de Valada, isolada devido às cheias, a propósito de uma notícia do Expresso sobre a atuação da Proteção Civil e a reação das Forças Armadas à tempestade Kristin.

Quanto à atuação das Forças Armadas, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o que parece ter ocorrido foi "um problema de comunicação", em que "o facto de não haver um porta-voz oral, e haver comunicados que ninguém lia, ninguém sabia, não eram conhecidos, é que levou à interpretação de que as Forças Armadas não estavam no terreno".

Questionado se a comunicação foi o maior problema na gestão desta crise, o Presidente da República concordou: "Eu acho que sim. Eu acho que a comunicação é muito difícil de estabelecer e de pôr a funcionar". 

Além de apontar "este exemplo de as Forças Armadas não terem um porta-voz, que noutras ocasiões tiveram", acrescentou: "A própria Proteção Civil, o funcionar e discutir se é de tantas em tantas horas, como é, como não é, é sempre um tema muito discutido. E as próprias autoridades governativas, quando há uma dispersão de membros do Governo no território, a comunicação é sempre mais difícil". 

Instado a comentar a informação de que as Forças Armadas só decretaram o nível de "prontidão imediata" na segunda-feira, 02 de fevereiro, quase uma semana depois da passagem da tempestade Kristin, o chefe de Estado comentou: "Eu devo dizer que tenho dúvidas disso".

"Por uma razão muito simples: porque eu fui para o terreno no dia 30 [de janeiro], e no dia 30 eu já citei comunicados das Forças Armadas, eu lia os mails, porque não chegavam, como não havia um porta-voz das Forças Armadas a explicar. Eu lia, e falei daquilo que já tinha sido feito no dia anterior, no dia 29, e falei daquilo que estava em prontidão no dia 30", referiu. 

Interrogado se as Forças Armadas estavam no terreno, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Estavam no terreno. Eu, por exemplo, lembro que em Ferreira do Zêzere, onde eu estive, já eles tinham estado em Ferreira do Zêzere, e tinham estado em Leiria, e tinham estado essencialmente naquele núcleo inicial, que foi mais atingido nos primeiros dias, mas já estavam, quer o Exército, quer a Força Aérea". 

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também centenas de feridos e desalojados, corte de energia, água e comunicações.

Na quinta-feira, o Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, e anunciou novas medidas, entre as quais um regime excecional e experimental para acelerar a reparação urgente e reconstrução de casas, sem controlo administrativo prévio.