PS responsabiliza executivo PSD por “crimes patrimoniais”
Em declarações após a reunião semanal da vereação da Cãmara Municipal do Funchal, o Partido Socialista responsabilidades ao executivo PSD pela demolição da Quinta das Tangerinas, classificando o caso como mais um exemplo de “crime patrimonial” ocorrido no concelho do Funchal, ao mesmo tempo que acusou a Câmara Municipal de falhar na resposta à crescente crise habitacional.
Rui Caetano afirmou que a situação da Quinta das Tangerinas “é da responsabilidade do executivo PSD do mandato anterior”, sublinhando que não se trata de um caso isolado. “Há outros crimes patrimoniais da responsabilidade desse executivo, como por exemplo a Quinta da Fé que foi demolida com a aprovação do PSD no mandato anterior, com os votos contra do Partido Socialista”, declarou.
Apesar de reconhecer que o património dominou os assuntos abordados em reunião, o socialista salientou que o PS levou à reunião outros problemas que considera estarem a ser ignorados pela autarquia, com destaque para a habitação.
“Todos os dias ouvimos falar do aumento dos preços das casas e das rendas. Nas reuniões públicas são vários os munícipes que vêm expor o drama da sua habitação”, afirmou.
Rui Caetano revelou que existem “mais de duas mil pessoas inscritas na SocioHabitaFunchal” e considerou insuficientes as medidas tomadas pela Câmara. “O único projecto que ainda não iniciou é a requalificação do Bairro da Ponte para a construção de 23 habitações. O único orçamento previsto para este ano é de cinco milhões de euros, que sabemos não dá praticamente para nada”, criticou.
O PS questiona ainda o cumprimento das promessas eleitorais do executivo liderado pelo PSD, nomeadamente no que diz respeito à construção de habitação a custos acessíveis. “O presidente da câmara disse que iria negociar com cooperativas de habitação. Onde é que estão essas negociações? Onde é que estão esses projectos?”, perguntou, defendendo a elaboração de uma carta de terrenos disponíveis para construção no Funchal.
Para os socialistas, o adiamento das decisões está a agravar o problema, lembrando que os programas em curso não dão resposta às necessidades reais. “Mesmo as casas que estão a ser construídas ao abrigo do PRR não vão resolver o problema. Na região há mais de três mil famílias à espera de uma habitação”, alertou.
Rui Caetano concluiu que a habitação “tem de voltar para cima da mesa”, defendendo a adopção de “medidas concretas” para apoiar os funchalenses que enfrentam “verdadeiros dramas” no acesso a uma casa.