DNOTICIAS.PT
Mundo

Base militar em Macomia em Moçambique atacada por insurgentes

None

As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique envolveram-se numa troca de tiros com supostos terroristas no norte do país, após um grupo de insurgentes ter tentado assaltar uma base, disse hoje à Lusa uma fonte militar.

Segundo a fonte, a troca de tiros entre militares e alegados terroristas começou por volta das 20:00 (18:00 de Lisboa) de terça-feira, quando os rebeldes, munidos de armas de fogo, tentaram surpreender os militares com disparos à queima roupa, com registo de um número ainda indeterminado de baixas do lado dos atacantes.

"Os terroristas queriam tomar de assalto a nossa base, mas felizmente ficamos atentos e anulamos as investidas", disse a fonte militar, a partir de Macomia, na província de Cabo Delgado.

A base Catupa, no distrito central de Macomia, dista mais de 25 quilómetros da aldeia V Congresso, na estrada Nacional 380, ligando aos distritos mais ao norte da província de Cabo Delgado.

"Morreram terroristas no local, pelo menos cinco, outros ficaram gravemente feridos, e como é guerra houve também feridos do nosso lado, mas não tivemos mortos", disse a fonte.

A base Catupa já foi alvo de ataques anteriores por parte destes grupos terroristas.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou anteriormente que a província moçambicana de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de ACLED, com dados de 12 a 25 de janeiro, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.432 mortos.

No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.

"O grupo também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco. Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar", aponta o relatório da ACLED.