Zelensky aponta 55 mil soldados ucranianos mortos no conflito
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou ontem que morreram cerca de 55 mil militares do seu país ao longo de quase quatro anos de conflito com a Rússia, adicionando "um grande número" que Kiev dá por desaparecidos.
"Na Ucrânia, oficialmente, o número de soldados mortos em combate, tanto militares de carreira como recrutados, chega aos 55 mil", declarou Zelensky em entrevista à televisão pública France 2.
Este registo oficial está bastante abaixo do número indicado no final de janeiro num relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), que apontou entre 100 mil e 140 mil soldados ucranianos mortos nos últimos quatro anos.
Durante a entrevista, o líder ucraniano estimou, por outro lado, que a Rússia terá de sacrificar acima de 800 mil soldados ao longo de dois anos para conquistar militarmente as províncias que constituem o Donbass, no leste da Ucrânia, reivindicadas por Moscovo.
"Nós, ucranianos, sabemos perfeitamente o preço que cada metro, cada quilómetro deste território custa ao exército da Rússia. Não contabilizam as mortes. Conquistar o leste da Ucrânia vai custar-lhes mais 800 mil corpos", apontou, vaticinando de seguida que os russos "não resistirão durante tanto tempo".
Para o chefe de Estado da Ucrânia, Moscovo "não obteve uma única vitória" na guerra que desencadeou no país vizinho em fevereiro de 2022 e "precisa de uma pausa".
No entanto, insistiu que, se a Ucrânia não travar o Presidente russo, Vladimir Putin, este "invadirá a Europa" de seguida, a partir do território ucraniano
"A Rússia avançará. Os seus drones podem operar dentro das suas fronteiras. O alcance dos seus mísseis é ilimitado. Atacarão por todos os lados", advertiu, comentando que a perda da independência do seu país seria "absolutamente monstruosa".
No entanto, expressou que tem a certeza de esse cenário não vai acontecer e que espera que a paz seja alcançada em menos de um ano, um expectativa declarada no dia em que recomeçaram em Abu Dhabi as negociações entre as delegações da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos sobre o fim do conflito.
Zelensky, que relatou ter-se "habituado ao medo" após quatro anos de hostilidades e ter sido alvo "várias vezes" de tentativas de assassínio por parte de Moscovo, acusou a Rússia de usar o frio "como arma" de guerra para obrigar Kiev a aceitar "um ultimato" nas negociações em curso nos Emirados Árabes Unidos.
"A Rússia está a aproveitar-se do frio. É claro que quer infligir mais sofrimento aos ucranianos para que aceitem aquilo a que os nossos amigos americanos chamam um 'acordo'." Mas, na realidade, trata-se de um ultimato", sustentou, a respeito das campanhas intensivas de ataques aéreos contra as infraestruturas energéticas da Ucrânia em pleno inverno.
Apesar dos "apagões" prolongados e falta de aquecimento, Zelensky sublinhou que "os russos não compreendem que quanto mais atacam a população civil, quanto mais matam, quanto mais violam as regras da guerra, mais afastam a possibilidade de um acordo".
Sobre o conteúdo das conversações em Abu Dhabi, defendeu que "um conflito congelado", durante o qual as duas partes conservariam as atuais posições militares, já seria "uma grande cedência" de Kiev.
Na entrevista, o Presidente ucraniano considerou que "Putin não tem medo dos europeus, só tem medo de Trump", referindo-se ao Presidente dos Estados Unidos, que nesta fase "têm outras prioridades geopolíticas, mas precisam compreender que a Ucrânia é um ponto importante para a segurança global".
Zelensky abordou ainda um eventual reatamento do diálogo do Ocidente com o Kremlin, por iniciativa do seu homólogo francês, Emmanuel Macron, mas reforçou que "o interesse de Putin é humilhar a Europa" e a pressão que lhe é exercida continua a ser "insuficiente".