O Chega e os “Tachos” que Critica
Nos últimos tempos, as notícias sobre o Chega de André Ventura, especialmente em Lisboa e no Algarve, revelam uma realidade desconcertante. O partido que se diz contrário ao “sistema” e à corrupção parece estar a seguir os mesmos passos que tanto critica. Ao invés de promover a mudança, Ventura e o Chega começam a adoptar práticas próprias dos partidos que acusam de perpetuarem o sistema.
O Chega tem nomeado militantes e aliados próximos para cargos públicos, muitas vezes sem qualquer mérito, mas com a garantia do cartão do partido ou laços familiares com os líderes locais. Em Lisboa, Moedas governa através de cargos negociados com o Chega, como entre outros, no caso da nomeação da namorada do vereador eleito. Em Albufeira, o presidente da câmara indicou a irmã para o gabinete dos vereadores. Estes exemplos são apenas alguns dos muitos sinais de clientelismo e nepotismo no partido de Ventura.
O Chega, que se apresenta como a solução para o “regime” corrompido, começa a mostrar que, na prática, a sua verdadeira agenda é a perpetuação das velhas práticas de preenchimento de lugares com aliados políticos e familiares. Se Ventura um dia alcançar a cadeira de Primeiro-Ministro, o que esperar é a mesma política de sempre: a tomada de instituições do Estado por militantes sem mérito, mas com a lealdade devida.
A moralização da política, portanto, parece estar cada vez mais distante. E os portugueses podem esperar ad aeternum por uma verdadeira mudança.
Carlos Oliveira