Seguro e Ventura visitaram zonas afetadas e pediram urgência nos apoios
Os candidatos a Presidente da República António José Seguro e André Ventura voltaram hoje a centrar as suas iniciativas nas zonas afetadas pelo mau tempo e pediram urgência em fazer chegar os apoios às populações.
André Ventura, que nos primeiros dias após a passagem da tempestade pelo território continental esteve em algumas das regiões mais afetadas, visitou hoje uma fábrica em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, que sofreu danos devido à tempestade.
No dia em que o primeiro-ministro anunciou a isenção de portagens em determinadas zonas, o candidato apoiado pelo Chega, partido que lidera, saudou a medida, mas propôs que, contrariamente à decisão do Governo, a isenção se mantenha "nos próximos meses" e não apenas durante uma semana.
"Finalmente, hoje, o Governo fez aquilo que eu ando a dizer há três dias, que não faz sentido em zonas de catástrofe estarem a ser cobradas portagens", afirmou André Ventura, que tinha reclamado esta isenção nos últimos dias.
A isenção, que entrará em vigor à meia-noite e vai estender-se por uma semana, vai abranger trechos da A8, A17, A14 e A19 nas zonas afetadas pela depressão Kristin.
Insistindo, por outro lado, nas críticas aos apoios decididos pelo Governo para ajudar as populações na reconstrução das estruturas afetadas pelo mau tempo, disse que gostaria de ter ouvido Marcelo Rebelo de Sousa a fazer o mesmo e considerou inadequada a visita do Presidente da República ao Vaticano.
"Acho que o facto do Presidente da República se ausentar do país no meio de uma crise também não é bom", afirmou, considerando que o chefe de Estado, e também o Governo, "neste momento deviam estar a dar confiança às pessoas".
À semelhança de André Ventura, também António José Seguro adaptou a agenda devido ao mau tempo e já tinha passado por algumas das regiões mais fustigadas, mas sempre sozinho.
Hoje, pela primeira vez, fez-se acompanhar pela comunicação social numa visita a uma zona industrial afetada em Proença-a-Nova, Castelo Branco, e explicou que quer "manter viva a necessidade dos apoios que foram anunciados chegarem rapidamente aos locais onde é necessário".
"A realidade é a maior pressão. As pessoas estão aflitas, precisam desses apoios. Eu não percebo qual é a dúvida. Eles têm que chegar rapidamente", disse o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, admitindo falar com o Governo, caso seja "útil para garantir e para ajudar a que os apoios possam chegar", mas que neste momento ainda não vê necessidade.
"Eu não pouparei nenhum trabalho que eu possa desenvolver ou ação que possa concretizar para que, de facto, os apoios cheguem ao terreno", prometeu.
A propósito da crise provocada pelo mau tempo, António José Seguro, que se tem focado sobretudo na ajuda imediata às famílias e empresas, começou já a pensar nas avaliações futuras e apontou a necessidade de uma "cultura de organização e planeamento" em Portugal.
"Este país não é assim tão grande que não se permita esse planeamento e essa organização. Nós temos que passar de uma situação de improviso e de acudir para uma situação de organização e de planeamento", disse o candidato apoiado pelo PS.