Chega "quer voto voto electrónico para portugueses residentes no estrangeiro"
O grupo parlamentar do Chega (CH) na Assembleia da República "deu entrada de um projeto que recomenda ao Governo a introdução do voto electrónico nos círculos eleitorais da diáspora, defendendo que os emigrantes possam votar por via digital já no próximo acto eleitoral", informa uma nota do deputado madeirense Francisco Gomes.
"Para o partido, os actuais sistemas - presencial e postal - continuam a criar obstáculos logísticos e administrativos que limitam a participação dos portugueses residentes no estrangeiro", acreditando o CH que há "taxas de abstenção extremamente elevadas, recordando que, nas eleições Presidenciais de 2021, mais de 98% dos eleitores inscritos fora do país não votaram".
Nas eleições mais recentes a taxa de participação foi de 4,09% na primeira volta (ou seja 95,91% de abstenção) e de 4,83% na segunda volta (95,17% de abstenção). Já agora, nas Legislativas nacionais realizadas em Maio de 2025, a taxa de participação dos emigrantes portugueses foi de 22,24% (abstenção ficou-se pelos 77,76%). Segundo o eleito pelo círculo da Madeira, "este cenário é consequência direta da distância aos consulados, dos custos associados às deslocações e dos problemas recorrentes com o voto postal", reclama.
"É inaceitável que milhões de portugueses espalhados pelo mundo continuem praticamente excluídos do processo democrático. O Estado não pode exigir deveres e depois criar barreiras ao exercício de um direito fundamental", atira Francisco Gomes.
Refere que "o projecto apresentado pelo partido de André Ventura recomenda que a Comissão Nacional de Eleições acompanhe a implementação do sistema, em articulação com entidades especializadas em cibersegurança, assegurando elevados padrões de fiabilidade, proteção de dados e integridade eleitoral".
O CH "aponta exemplos internacionais como a Estónia, que utiliza voto electrónico desde 2005, bem como experiências realizadas na Suíça e no Canadá, defendendo que soluções tecnológicas avançadas podem garantir segurança e transparência", sinaliza. "A proposta prevê ainda uma campanha de informação dirigida às comunidades portuguesas no estrangeiro, com o objetivo de explicar o funcionamento do sistema e incentivar a participação".
"A democracia não pode ficar limitada à geografia. Quem trabalha, investe e representa Portugal lá fora merece poder votar com dignidade e sem obstáculos. O CHEGA quer uma democracia moderna, inclusiva e verdadeiramente nacional", conclui o deputado na Assembleia da República.