Trabalhadores da Unidade de Alzheimer acusam sindicato de insultos e de distorcer a realidade
Trabalhadores da Unidade de Alzheimer do Centro Social e Paroquial da Ribeira Brava vieram a público, através de comunicado à imprensa enviado esta quarta-feira, contestar as declarações do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA), que em 24 de Fevereiro acusou a instituição de impor "precárias condições laborais" e "constante pressão e assédio moral" aos seus funcionários, descrevendo o estado em que estes se encontravam como "degradante".
Sindicato preocupado com a forma como os trabalhadores estão a ser tratados nas instituições de solidariedade social
O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul Regiões Autónomas, continua a demonstrar "enorme preocupação pela forma como os trabalhadores estão a ser tratados nas instituições de solidariedade social".
Em comunicado, os trabalhadores afirmam que "estas acusações não são verdadeiras" e sublinham que a iniciativa de contestar a notícia publicada no DIÁRIO de Notícias foi tomada de forma voluntária, sem qualquer pedido da Direcção da Instituição — contrariando o que o sindicato havia insinuado. "A nossa Instituição sempre nos tratou com dignidade, valorização e respeito", escrevem, acrescentando que sempre encontraram na Direção Técnica "compreensão, abertura e apoio".
Trabalhadores do Centro Social de São Bento rejeitam acusações do sindicato
Um grupo de trabalhadores do Centro Social e Paroquial de São Bento, incluindo profissionais da Unidade de Alzheimer, manifestou-se esta terça-feira junto à porta daquela valência, na Ribeira Brava, em reacção ao comunicado do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que consideram conter "calúnias e difamação".
O que deveria ter sido um momento de esclarecimento após a reunião plenária realizada na passada terça-feira acabou por descambar em confronto. Segundo os trabalhadores, o coordenador sindical Nelson Pereira dirigiu-se aos funcionários que contestaram a posição do sindicato com "falta de educação", acusando-os de serem "ignorantes" e de "não saberem ler sequer".
Os trabalhadores relatam ainda dois episódios que consideram particularmente graves. Numa das situações, uma representante sindical terá dito a uma trabalhadora que esta "nem teve tempo de trocar o vestido" - comentário que surgiu pelo facto de a trabalhadora se ter juntado à manifestação imediatamente após a reunião plenária. Para os signatários, esta afirmação "constitui um ataque à liberdade individual e é um exemplo claro de assédio moral e preconceito - precisamente práticas que um sindicato deveria ser o primeiro a combater". Noutro episódio, já após o término da reunião, uma trabalhadora que se encontrava num café terá sido abordada por uma representante do sindicato e insultada com os termos "mal-educada" e "parvinha".
"O sindicato não falou por nós - falou contra nós", concluem os trabalhadores, que dizem não reconhecer no STFPSSRA qualquer legitimidade para os representar. No seu entender, o sindicato "não demonstra interesse no bem-estar dos trabalhadores, mas sim em criar um conflito onde não existe", visando apenas os seus próprios interesses.
Os trabalhadores não deixam, contudo, de reconhecer que todos os profissionais do sector social merecem melhores salários e progressão na carreira, rejeitando, porém, que essa reivindicação possa "servir de justificação para denegrir uma Instituição que zela por nós diariamente".
O comunicado é subscrito pelos trabalhadores da Unidade de Alzheimer do Centro Social e Paroquial de São Bento.