Mais de 200 presos políticos em greve de fome na Venezuela
Mais de 200 presos políticos afirmaram hoje que estão em greve de fome após a libertação de outros 80 no sábado, no âmbito de uma lei de amnistia aprovada pelo Governo interino da Venezuela.
Familiares e amigos dos presos políticos contactados pela agência de notícias France-Presse adiantaram que cerca de 214 presos políticos, venezuelanos e estrangeiros, estão a fazer greve de fome pelo facto de a amnistia não se aplicar aos seus casos.
O movimento começou na prisão de Rodeo I, nos arredores de Caracas.
"Cerca de 214 no total, entre venezuelanos e estrangeiros, estão em greve de fome", explicou Yalitza García, sogra de Nahuel Agustín Gallo, um polícia argentino acusado de terrorismo.
"Eles decidiram iniciar uma greve de fome na sexta-feira, após os resultados da lei de amnistia, que não beneficia a grande maioria", explicou Shakira Ibarreto, filha de um polícia preso em 2024.
As famílias explicaram que os detidos protestam contra o alcance da lei de amnistia, que não beneficia muitos dos prisioneiros dessa instituição.
A justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 prisioneiros políticos após a aprovação de uma lei de amnistia.
Aprovada e promulgada na quinta-feira, esta lei de amnistia foi prometida sob pressão dos Estados Unidos pela Presidente interina, Delcy Rodriguez.
Delcy Rodriguez iniciou uma normalização das relações com Washington, rompidas desde 2019, desde que assumiu o poder após a captura do ex-Presidente Nicolas Maduro durante uma operação militar norte-americana, em 03 de janeiro.
Além das libertações já anunciadas, a Assembleia Nacional instalou na sexta-feira uma comissão especial encarregada de analisar os casos dos presos políticos excluídos da amnistia.
No total, 1.557 detidos solicitaram a sua libertação ao abrigo da lei, segundo Rodriguez numa conferência de imprensa.
No entanto, vários especialistas questionam o alcance da lei de amnistia: centenas de detidos, como polícias e militares envolvidos em atividades consideradas terroristas, podem ficar excluídos.
A medida não cobre inteiramente o período de 1999 a 2026, que corresponde às presidências de Hugo Chávez (1999-2013) e do seu sucessor, Nicolás Maduro.
O presidente do parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou que as autoridades estão a considerar conceder "medidas de clemência" ou indultos presidenciais a pessoas excluídas da lei da amnistia.
Rodríguez, irmão da Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou no sábado que muitas das pessoas que não serão cobertas pela amnistia estão a ser consideradas para "medidas de clemência ou indulto presidencial".