CDU afirma que ainda estamos a tempo de evitar tragédias maiores do que o 20 de Fevereiro
Edgar Silva denunciou, hoje, que na zona do Trapiche, na freguesia de Santo António, onde morreu o maior número de pessoas no 20 de Fevereiro de 2010, "muito está por fazer para prevenir semelhante catástrofe". A CDU esteve no local para lembrar o temporal devastador, provocado por chuvas torrenciais, que causou cheias violentas, aluviões e deslizamentos de terras há 16 anos.
"No Poço do Morgado, na zona do Trapiche, estava prevista a construção de um muro de contenção da encosta sobranceira às habitações, com o objetivo de prevenir riscos de nova catástrofe, e passados que são 16 anos, tudo está por concretizar", aponta o coordenador regional da CDU.
É importante relembrar que a 20 de Fevereiro de 2010, a aluvião provocou 47 mortos, 6 desaparecidos, cerca de 250 feridos e mais de mil milhões de euros em prejuízos materiais. Depois de tão grande tragédia, mais parece que se apagou na memória coletiva tudo o que aconteceu na ilha da Madeira, assim como os governantes teimam em repetir os mesmos erros no uso do território. Edgar Silva
A CDU lamenta que, apesar de a tragédia ter deixado muitas sequelas e traumas psicológicos nas populações, tantas zonas de cheia de ribeiras, muitas das zonas classificadas de elevado risco continuem a ser cada vez mais ocupadas com construções e edifícios públicos e privados.
De acordo com Edgar Silva, "16 anos após o temporal de 20 de Fevereiro de 2010, muitas áreas da ilha da Madeira continuam vulneráveis face à eventual ocorrência de chuvas mais intensas". Para a CDU "faz falta uma cultura de prevenção de riscos e uma governação articulada entre o poder local e o poder regional de modo a ser garantida um adequado planeamento consequente e um rigoroso ordenamento do uso do território".
"Só assim deixaremos de ter, como está a acontecer na Ribeira de Santo António, acima do 'Campo do Marítimo', assim como nas margens das outras grandes ribeiras que atravessam o Funchal, zonas de ocupação selvagem e desordenada, favoráveis a tragédias de grande dimensão", termina.