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Madeira

Luís, o madeirense acusado de incitar ao terrorismo islâmico a partir da Camacha

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Chama-se Luís, tem 32 anos, é oriundo de uma família de Testemunhas de Jeová, já esteve emigrado em Londres, mas hoje mora na Camacha e trabalha numa empresa de carga. Mas também pode ser apresentado como Bilal ou “escravo de Deus”, um jovem que se converteu ao Islamismo quando esteve preso numa cadeia inglesa e que defende e promove na Internet as suas correntes e práticas mais radicais e violentas, como a Guerra Santa (Jihad), a lei islâmica (Sharia) e o terrorismo do Estado Islâmico.

É devido a esta segunda versão da sua vida que Luís foi acusado pelo Ministério Público da prática de dois crimes de incitamento ao terrorismo (cada crime com pena até 6 anos de prisão) e dois crimes de glorificação do terrorismo (cada crime com pena até 5 anos de prisão). Este processo será abordado com profundidade na edição impressa do DIÁRIO de amanhã, mas hoje é possível avançar algumas informações.

O despacho de acusação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) tem data de 17 de Dezembro, tendo o juiz de instrução determinado na semana passada que o arguido vai aguardar o julgamento em liberdade, mas com proibição de sair da Madeira, obrigação de apresentações semanais na Polícia e proibição de consulta e publicação online de conteúdos jihadistas.

O DIÁRIO teve acesso ao despacho de acusação, que descreve os factos que levam o MP a avançar com uma acusação, que é inédita na Madeira. Em causa estão sobretudo conteúdos e comentários publicados no Facebook, alguns dos quais através de perfis falsos, que, segundo o MP, mostram que “o arguido agiu por convicção político religiosa, marcadamente salafista-jihadista, comprometido ideologicamente com o movimento internacional fundamentalista islâmico de matriz jihadista, a denominada Jihad Global, que visa o combate aos infiéis através da luta armada violenta em busca da fé perfeita, movimento associado ao Estado Islâmico e a outras organizações terroristas”.