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Partido Nacionalista do Bangladesh vence legislativas com maioria absoluta

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Foto EPA

O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP) conquistou a maioria absoluta nas primeiras eleições legislativas organizadas desde a insurreição que causou a queda do regime de Sheikh Hasina em 2024, anunciou hoje a comissão eleitoral.

O partido liderado por Tarique Rahman obteve 212 dos 300 mandatos em disputa, contra 77 da coligação liderada pelos islâmicos do Jamaat-e-Islami, declarou o primeiro secretário da comissão, Akhtar Ahmed, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Os resultados divulgados ao início da tarde (hora local, mais seis horas em Daca em relação a Lisboa) confirmaram as projeções das televisões nacionais, que atribuíam dois terços dos assentos ao partido de Tarique Rahman.

Antes deste anúncio, o Jamaat tinha posto em causa os resultados provisórios.

"Não estamos satisfeitos com o processo em torno dos resultados das eleições", disse o partido, que denunciou "incoerências repetidas ou montagens no anúncio dos resultados provisórios".

As eleições foram organizadas por um governo interino liderado pelo prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, formado após a queda do regime de Hasina na sequência de protestos generalizados contra o nepotismo no país asiático de cerca de 176 milhões de habitantes.

Hasina, que fugiu para a Índia em 2025, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade por ter ordenado a repressão dos protestos, com quase 1.400 mortos, segundo dados das Nações Unidas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, já felicitou Tarique Rahman pela vitória nas eleições do Bangladesh, país que fez parte do Paquistão até à independência em 1971.

"Felicito igualmente o povo do Bangladesh pelo bom desenrolar das eleições", escreveu Sharif nas redes sociais, acrescentando que esperava trabalhar em estreita colaboração com os novos líderes.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, assegurou que "a Índia continuará a apoiar um Bangladesh democrático, progressista e inclusivo".

Também a embaixada dos Estados Unidos em Daca felicitou o BNP e Tarique Rahman pela "vitória histórica" numa mensagem nas redes sociais.

Com 60 anos, o provável futuro primeiro-ministro é herdeiro de uma longa dinastia política.

Regressado em dezembro de 17 anos de exílio no Reino Unido, Tarique Rahman assumiu a sucessão na liderança do BNP da mãe, Khaleda Zia, três vezes primeira-ministra, após a sua morte poucos dias antes.

O rival, o líder do Jamaat, Shafiqur Rahman, 67 anos, que passou pelas prisões da ex-primeira-ministra Hasina, ambicionava tornar-se o primeiro chefe de governo islâmico da história do Bangladesh, um país 90% muçulmano.

Nas ruas da capital, Daca, a vitória anunciada do BNP foi acolhida com calma e serenidade.

"Espero que Tarique Rahman consiga cumprir as promessas e satisfazer as aspirações do povo", disse à AFP Khurshid Alam, um comerciante de 39 anos.

"Houve algumas acusações de fraude, mas o BNP ganhou largamente e não poderia ter fraudado em todo o lado", considerou Nazrul Islam, 47 anos.

"Ficarei feliz se o BNP conseguir melhorar o nosso quotidiano", acrescentou.

Após uma campanha frequentemente tensa e por vezes violenta, a votação de quinta-feira decorreu sem incidentes de maior.

Muitos eleitores votaram com um fervor inédito desde a eleição de Hasina em 2009. Os atos eleitorais que se seguiram foram todos boicotados pela oposição ou desvirtuados por fraudes em larga escala.

Segundo as projeções das televisões, os eleitores também aprovaram largamente na quinta-feira, por referendo, uma série de reformas institucionais destinadas a evitar o regresso de um regime autoritário.

Do exílio indiano, Sheikh Hasina, 78 anos, denunciou um escrutínio "ilegal e inconstitucional" numa declaração divulgada pelo seu partido, a Liga Awami.