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Venezuela "não procederá à desnacionalização do petróleo"

Foto MIGUEL GUTIERREZ/EFE/EPA
Foto MIGUEL GUTIERREZ/EFE/EPA

 A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país quer tornar-se um grande produtor de petróleo, negando, porém, que a nova lei de hidrocarbonetos siga na direção da desnacionalização do setor petrolífero.

"Queremos passar de ser o país com as maiores reservas de petróleo a ser um grande produtor, como os Estados Unidos, que produzem cerca de 30 milhões de barris por dia, e até mesmo como a Arábia Saudita", afirmou Rodríguez, na quinta-feira, numa entrevista concedida à rede norte-americana NBC, a primeira a um órgão de comunicação social dos Estados Unidos.

"Não, não é uma medida para reverter a nacionalização, porque o petróleo e o carvão são propriedade do Estado venezuelano. A Venezuela está a estabelecer novos modelos de gestão que lhe permitem gerir a produção e a comercialização", esclareceu quando questionada sobre se a nova lei de hidrocarbonetos significa a admissão do fracasso das estatizações realizadas pelo chavismo nas últimas duas décadas.

A norma recente, que reabre as portas ao setor privado e reduz a carga fiscal para atrair investimentos, sublinhou ainda, é simplesmente uma reforma das normas anteriores.

"E reformamos [a lei] para que os dividendos do investimento tenham um maior rendimento", explicou.

A presidente interina garantiu igualmente que as receitas que Washington está agora a transferir para Caracas pela comercialização do petróleo venezuelano serão destinadas à reconstrução do país e à ajuda ao povo, e destacou a criação de dois fundos soberanos para garantir que os recursos assegurem proteção social e infraestruturas básicas aos cidadãos.

Em relação às afirmações anteriores do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que garantiu que os governos chavistas roubaram ativos de petrolíferas norte-americanas durante as nacionalizações do setor, Rodríguez afirmou que "há muita desinformação" a esse respeito e que o Governo da Venezuela está a tentar esclarecer a situação.

"Estamos a rever contratos e a esclarecer quem deve dinheiro a quem, quem deve dinheiro à PDVSA [Petróleos de Venezuela], e a quem a PDVSA deve dinheiro", afirmou.

A entrevista com Rodríguez coincidiu com a visita à Venezuela do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, no âmbito da cooperação entre Washington e Caracas para revitalizar a indústria petrolífera após a extração do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro de Caracas para Washington por forças dos Estados Unidos no início de janeiro.

Após a queda de Maduro, os EUA garantiram que estão a supervisionar o Executivo venezuelano para garantir a estabilidade do país caribenho.