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O voluntariado e a cidadania europeia

Portugal situa-se no meio da tabela das nações europeias sobre a prática do voluntariado enquanto ferramenta imprescindível para construção de uma cidadania ativa e responsável, além de representar uma vantagem na obtenção de aspetos tão interessantes e importantes como a educação informal. Ainda são vários os países do continente que conseguem resultados de destaque no voluntariado. A estratégia que a União Europeia adoptou para o incentivo do voluntariado, através de programas como o Corpo Europeu de Solidaridade, tem sido um dos motores mais eficazes para o incremento de modelos responsáveis e eficazes, que acabam por beneficiar milhares de europeus.

Há mais de dez anos, a Universidade da Madeira, através da Académica da Madeira e, recentemente, da Associação para Promoção da Herança Madeirense, acolhe voluntários de todo o continente para promoção de atividades e programas ligados às Artes, à Cultura, à Educação, à História e ao Turismo. Estas ações representam um apoio fundamental para várias escolas, de Portugal e do estrangeiro, que visitam a nossa região, além de ser uma atividade turística que serve como motor de promoção da Madeira. Em 2017, o banco Santander atribuiu a um desses programas o prémio nacional de voluntariado, na sua primeira edição e perante dezenas de concorrentes. Nos anos seguintes, seguiram-se outras distinções, nacionais e internacionais.

Hugo Ricoo, Eliass Blase e João Stoll foram os três voluntários que integraram o painel de entrevistados da emissão desta semana do Peço a Palavra. Vindos do Luxemburgo, da Lituânia e dos Países Baixos, ingressaram no programa History Tellers para receberem formação para orientarem visitas pela cidade e acompanharem os guias do programa em visitas educativas. Além destas atividades, participaram em ações de apoio a eventos culturais, como os saraus de fado, e atividades de incentivo à responsabilidade ambiental. Em alguns meses, ganharam competências em funções que nunca haviam desempenhado, recebendo apoio da Europa, através das suas organizações de envio, para garantia das suas despesas de alimentação, de alojamento e de transporte, incluindo um apoio mensal para utilização pessoal noutros gastos.

A Europa, através de vários programas, detém um capital de investimento vasto para a execução de programas de voluntariado e de mobilidade. Em cada ciclo orçamental europeu, as dotações financeiras destes programas são discutidas e avaliadas, sendo uma das lutas de centenas e milhares de organizações, incluindo as universidades, tanto a manutenção como o incremento desses investimentos. Aos milhões de jovens europeus, cabe aproveitar as milhares de oportunidades que existem pelo continente, numa óptica de melhorar as suas competências e o seu currículo e, acima de tudo, deixar uma marca indelével nas comunidades em que trabalham, crescendo enquanto cidadãos e contribuindo para a afirmação do projeto europeu, tão necessário nos nossos dias.