PS considera que demissão de ministra é a prova de que Governo falhou na resposta à tempestade
O secretário-geral do PS defendeu hoje que a demissão da ministra da Administração Interna "é a prova de que o Governo falhou na resposta" à tempestade e lembrou que "o mais importante responsável da Proteção Civil" é o primeiro-ministro.
"Eu amanhã tenho a intenção de dizer ao primeiro-ministro aquilo que tenho a dizer no debate parlamentar, mas é evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o Governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade", disse aos jornalistas José Luís Carneiro à chegada à sede do PS, onde decorre a Comissão Política Nacional do PS.
Na perspetiva do líder do PS, Luís Montenegro não se "pode alienar as suas próprias responsabilidades".
"O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil no país é o primeiro-ministro", defendeu.
Para Carneiro, a questão não está no "acerto na escolha do ministro ou da ministra da Administração Interna", mas sim no "acerto do Governo".
"Há um problema de acerto do Governo na resposta às crises, de que esta é apenas a expressão mais recente. Todos temos bem consciência do que foi a gestão do apagão no país, dos incêndios florestais no verão passado, na altura em que sofria o povo português, o partido do Governo estava em festa no Algarve e agora o facto de se ter chegado tarde e a más horas a uma crise, a uma tempestade", referiu.
Na perspetiva do líder do PS, "o primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil é o primeiro-ministro".
"E, portanto, do nosso ponto de vista, o primeiro-ministro deve ter consciência de que não é por substituir a ministra da Administração Interna, ou no outro dia qualquer a ministra da Saúde, que os problemas se resolvem de 'per se'", referiu.
De acordo com Carneiro, vai fazer duas semanas e há pessoas que continuam "sem eletricidade, sem água, sem habitação, sem gerador".
"Ainda hoje me enviaram várias mensagens por saber que amanhã tenho um debate com o primeiro-ministro para pedir responsabilidades ao Governo na incapacidade de resposta a situações que são incompreensíveis e que exigem uma ação eficaz da parte, desde logo e em primeiro lugar, do primeiro-ministro", criticou.
O primeiro-ministro vai assumir transitoriamente as competências que pertenciam à ministra da Administração Interna, quando se tornar efetiva a exoneração de Maria Lúcia Amaral hoje anunciada, a primeira "baixa" do segundo Governo liderado por Luís Montenegro.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão e o Presidente da República aceitou-a, segundo uma nota oficial divulgada hoje à noite.
O comunicado explicita que será o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que "assumirá transitoriamente as respetivas competências", logo que a exoneração se torne efetiva.
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.