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Madeira

Apoios à inteligência artificial não podem excluir pequenas e médias empresas

Secretário regional da Economia alerta que a existência de financiamento público não garante que as pequenas empresas consigam beneficiar dos apoios

Foto SRE
Foto SRE

O secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, defendeu, esta terça-feira, que os instrumentos de financiamento à inteligência artificial devem ser acessíveis às pequenas e médias empresas (PME), alertando que a existência de apoios públicos não significa, necessariamente, que estes cheguem a quem mais precisa.

A posição foi assumida na abertura do encontro inter-regional do projecto europeu embrAIsme, que decorre até amanhã, no Colégio dos Jesuítas, no Funchal, numa organização do Instituto de Desenvolvimento Empresarial (IDE).

Intervenção José Manuel Rodrigues

Na intervenção, o governante destacou as dificuldades que muitas empresas enfrentam para acompanhar a transformação digital, sobretudo devido aos custos de investimento, à falta de competências especializadas e à necessidade de reorganização interna.

“Há uma distância considerável entre o anúncio de uma inovação e a sua presença efectiva no quotidiano de uma empresa”, afirmou, considerando que essa diferença pode aprofundar as desigualdades entre empresas de diferentes dimensões.

Inteligência artificial já é utilizada por três câmaras municipais da Madeira

Na Administração Pública Regional, a utilização desta tecnologia abrange 15% dos organismos. Despesa em tecnologias de informação e comunicação atingiu 16,6 milhões de euros em 2025

José Manuel Rodrigues lembrou que as PME representam uma parte essencial do emprego e da actividade económica, mas dispõem frequentemente de menores recursos financeiros e técnicos para investir em novas tecnologias.

Apoios podem existir e continuar inacessíveis

O secretário regional apontou os instrumentos de apoio ao investimento disponibilizados através do IDE, no âmbito do Madeira 2030, como importantes para estimular a modernização das empresas.

Contudo, advertiu que a eficácia dessas medidas depende da capacidade de responder às necessidades concretas do tecido empresarial.

“Um instrumento pode estar formalmente disponível e continuar inacessível para quem dele mais necessitaria”, alertou, identificando a complexidade dos procedimentos, os critérios inadequados à dimensão das empresas e as exigências técnicas como possíveis obstáculos.

O governante defendeu, por isso, que o financiamento deve ser acompanhado por investimento na formação dos trabalhadores e na organização das empresas.

Financiar a tecnologia sem as competências que a tornam utilizável seria uma meia medida, e as meias medidas raramente alteram trajectórias.

José Manuel Rodrigues considerou ainda que a insularidade, a distância aos principais mercados e os custos acrescidos da actividade económica tornam particularmente importante adaptar os instrumentos de financiamento à realidade madeirense.

Projecto reúne oito países europeus

O encontro do projecto embrAIsme junta representantes de entidades de oito países europeus, com o objectivo de identificar soluções que facilitem a adopção da inteligência artificial pelas pequenas e médias empresas.

Durante os dois dias, os participantes vão debater políticas de inovação, conhecer experiências empresariais e visitar a Startup Madeira e o centro de inteligência artificial da DataMentors. Está também prevista a apresentação de um caso do grupo PortoBay Hotels sobre a aplicação destas tecnologias à actividade empresarial.

Para José Manuel Rodrigues, a cooperação europeia deve traduzir-se em melhorias concretas nas políticas públicas, e não limitar-se à partilha de experiências.

A utilidade deste encontro mede-se pela capacidade de produzir conhecimento aplicável, identificar obstáculos com rigor e formular propostas que informem políticas públicas e instrumentos de apoio.

O secretário regional concluiu que a competitividade da economia madeirense depende também da capacidade de assegurar que as empresas de menor dimensão conseguem aceder à inovação, independentemente dos recursos financeiros de que dispõem.