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Ceuta viveu "maior crise de segurança nacional" da democracia espanhola

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Foto EPA/CHEMA MOYA

O presidente do governo da cidade autónoma de Ceuta disse hoje que a cidade foi palco da "maior crise de segurança nacional" que Espanha já viveu em democracia com a entrada ilegal cem mil pessoas no final de julho.

Juan Jesus Vivas disse que cem mil pessoas (mais do que outros números oficiais assumidos até agora e que falam em 72.000 a 80.000) "foram utilizadas para violar as fronteiras" e "a integridade territorial" de Espanha em 30 e 31 de julho, quando uma avalanche humana entrou em Ceuta, um enclave no norte de África com fronteiras com Marrocos.

Tratou-se de "uma invasão" que colocou Ceuta "à beira do abismo" e provocou "a maior crise de segurança nacional" da democracia, acrescentou Juan jesus Vivas, que falava numa cerimónia de receção ao Rei de Espanha, Felipe VI, que hoje visita a cidade.

Vivas disse que nestes mais de dois meses Ceuta tem vivido uma "grave deterioração da segurança", assim como "a ruína da economia" local e inquietação pelo "risco de que se rompa o precioso bem" da cidade, "a convivência" entre habitantes de um território onde coexistem há séculos muçulmanos, católicos, hindus e judeus.

Ceuta vive "sem dúvida" o momento "mais difícil da sua história recente", considerou o líder do governo local, que reiterou que a cidade só regressará à normalidade com o regresso a Marrocos de todas as milhares de pessoas que entraram ilegalmente na cidade e ali permanecem.

Juan Jesus Vivas sublinhou que Ceuta é "Espanha até à medula", como escolheram os seus habitantes há séculos e como certifica "o direito e a História" e acreditam todos os seus habitantes, "rezem como rezem e chamem-se como se chamem".

O presidente do executivo local sublinhou que a defesa e o controlo da fronteira de Ceuta com Marrocos, que é também uma fronteira externa da União Europeia, corresponde a Espanha e não pode depender de terceiros.

O Rei de Espanha está hoje em Ceuta, na primeira visita em quase 20 anos de um chefe de Estado espanhol à cidade, cuja soberania é reivindicada por Marrocos.

O monarca e a mulher, Letizia Ortiz, foram saudados por centenas de pessoas à chegada hoje a Ceuta, à entrada para a Câmara Municipal local.

Felipe VI e Letízia Ortiz chegaram ao local cerca das 12:30 (11:30 em Lisboa) e passaram mais de 20 minutos a cumprimentar e saudar a multidão, que os recebeu com bandeiras de Espanha, aplausos, gritos de saudação aos Reis e cânticos como "Ceuta unida jamais será vencida" ou "Eu sou espanhol".

À saída da cerimónia no edifício da câmara municipal voltaram a ser saudados por centenas de pessoas, a quem voltaram a dedicar cumprimentos.

Tanto o número de pessoas que esperava os reis de Espanha nas ruas para os saudar, como o tempo que Felipe VI e Letízia Ortiz passaram a cumprimentar a multidão são pouco habituais ou mesmo inéditos desde que o atual monarca foi proclamado chefe de Estado, em 2014, destacaram os jornalistas espanhóis que costumam acompanhar as deslocações da Casa Real.

Felipe VI manifetsou em 01 de agosto "procupação e indignação" com o ocorrido em Ceuta.

Este mês, quando recebeu em Madrid o Presidente francês, Emmanuel Macron, Felipe VI pediu um reforço da colaboração dos Estados-membros da UE face à "intrusão em massa de dezenas de milhares de pessoas em Ceuta", lembrando que aquela também é uma fronteira europeia.

Durante uma visita à Finlânida na semana passada sublihou que toda a União Europeia (UE) é alvo de ataque se um dos seus Estados-membros é atacado ou ameaçado e que isso é válido tanto no "flanco sul" como no Ártico.

Na quarta-feira, Felipe VI e Letizia Ortiz seguem para Melilla, o outro enclave de Espanha no norte de África e com fronteiras com Marrocos.

A última visita de um chefe de Estado espanhol a Ceuta e Melilla foi em 2007, nas únicas deslocações aos enclaves que fez Juan Carlos I, o pai do atual monarca.