Candidato da oposição pede reconhecimento explícito da vitória eleitoral de 2024
O líder da oposição venezuelana, Edmundo González Urrutia, exilado em Espanha, pediu hoje o reconhecimento explícito da sua vitória nas presidenciais de 2024, oficialmente atribuídas a Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos no início do mês.
Segundo um comunicado da sua equipa, González Urrutia defendeu, numa conversa telefónica com o chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, que "a reconstrução democrática na Venezuela depende do reconhecimento explícito dos resultados das eleições de 28 de julho de 2024".
Procurado por um mandado de detenção emitido pelas autoridades venezuelanas, González Urrutia abandonou o país em setembro de 2024 e fixou-se em Espanha, onde vive uma numerosa comunidade venezuelana.
A oposição, que divulgou atas de votação consideradas fraudulentas pelo Governo em Caracas, sustenta que González Urrutia foi o legítimo vencedor do sufrágio presidencial.
De acordo com o mesmo comunicado, o opositor afirmou ainda que "as transições políticas genuínas são complexas e não podem ser reduzidas a gestos parciais".
Hoje, González Urrutia declarou-se "profundamente feliz" com a libertação recente de vários presos políticos, mas avisou, no encontro com Sánchez, contra libertações "selectivas", que classificou como possíveis "gestos tácticos".
O opositor sublinhou que muitos presos políticos "continuam detidos" e que essas libertações não substituem "a restauração plena dos direitos" nem o reconhecimento do mandato democrático que disse ter recebido, a par de María Corina Machado, prémio Nobel da Paz 2025 e sua antecessora como candidata presidencial.
Após a captura de Nicolás Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que María Corina Machado não estava qualificada para liderar o país.
A organização não-governamental Foro Penal estimava em 806 o número de presos políticos na Venezuela antes das libertações de quinta-feira, incluindo 175 militares.
Entre os detidos encontrava-se o genro de González Urrutia, Rafael Tudares Bracho, condenado no início de dezembro a 30 anos de prisão, segundo a sua família.