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Suíça presta homenagem às vítimas do incêndio em Crans-Montana com apelos à justiça

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Foto EPA/MICHAEL BUHOLZER

A Suíça prestou hoje homenagem às vítimas do incêndio num bar na estância de esqui de Crans-Montana na noite de Ano Novo, com vários apelos a que se faça justiça, incluindo do presidente da confederação helvética.

Uma semana depois da tragédia no bar Le Constellation, que provocou 40 mortos e 116 feridos, na grande maioria adolescentes, foi realizada uma cerimónia comemorativa em Martigny, na qual participaram familiares das vítimas e chefes de Estado dos países mais atingidos pela tragédia, entre os quais os Presidentes da Suíça, Guy Parmelin, de França, Emmanuel Macron, e de Itália, Sergio Mattarella, assim como a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

Às 14:00 (13:00 em Lisboa), a população suíça observou, em toda a confederação, um minuto de silêncio em memória das vítimas, enquanto os sinos das igrejas tocaram em todo o país alpino.

Na estância de Crans-Montana, cujos acessos estavam parcialmente bloqueados devido aos fortes nevões que se têm feito sentir nos últimos dias, foram montados ecrãs gigantes, para que os locais fossem acompanhando a cerimónia de Martigny.

Durante a cerimónia de homenagem, o presidente da confederação suíça afirmou que o país continua consternado com a tragédia e apelou às autoridades judiciais para que "mostrem as falhas e as sancionem".

"O nosso país está consternado com esta tragédia, curva-se diante da memória daqueles que não estão mais entre nós e está ao lado daqueles que se preparam para iniciar um longo caminho de reconstrução", disse.

Guy Parmelin acrescentou que a esperança repousa agora na capacidade do sistema judicial helvético de "trazer à luz, sem demora nem complacência, as falhas e de as punir".

"É uma responsabilidade moral, além de ser um dever do Estado", afirmou.

De acordo com a imprensa italiana, Sergio Mattarella, escreveu no livro de condolências: "a cerimónia de hoje pela imensa tragédia que se consumou impõe poucas palavras: angústia na memória das vítimas, total solidariedade com os familiares, afetuosa e constante proximidade aos jovens que no hospital lutam para recuperar as suas vidas e justiça pelo que aconteceu".

Ao mesmo tempo que decorria a cerimónia, os proprietários do bar onde ocorreu o desastre -- um casal de cidadãos franceses - depunham pela primeira vez perante as autoridades helvéticas, na cidade de Sion, e, no final de seis horas de interrogatório, a procuradora decretou a prisão preventiva de um dos donos do estabelecimento, Jacques Moretti, por potencial risco de fuga.

Paralelamente ao inquérito em curso na Suíça, também França e Itália anunciaram que lançaram as investigações próprias.

Depois da Suíça, estes são os dois países com mais cidadãos afetados pela tragédia em Crans-Montana: entre as vítimas mortais há sete franceses e seis italianos, e entre os feridos há 21 franceses e 10 italianos. No incêndio morreu também uma cidadã portuguesa.

De acordo com os primeiros dados disponíveis, o incêndio no Le Constellation teve origem em velas pirotécnicas acesas em garrafas de champanhe e aproximadas do teto, revestido por uma espuma altamente inflamável que, em poucos minutos, devastou o local, designadamente a cave, onde se encontravam muitos jovens a festejar a passagem de ano.

O município de Cras-Montana admitiu não ter feito controlos e inspeções no local durante seis anos, entre 2020 e 2025, pelo que também corre o risco de ser responsabilizado.