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‘Mar de Vozes’ vence Prémio Literário Cidade do Funchal – Edmundo Bettencourt

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Fotos Hélder Santos/Aspress

A obra ‘Mar de Vozes’, de Susana Nunes, foi a vencedora do Prémio Literário Cidade do Funchal – Edmundo Bettencourt. 

Nesta edição, dedicada ao género literário da prosa, foram submetidas 124 obras provenientes de Angola, Austrália, Brasil, Itália, Moçambique e Portugal. Da Madeira participaram 22 autores. 

Foram ainda atribuídas duas menções honrosas, nomeadamente à obra 'Memórias de uma Mesa', de Vítor Pereira, e 'O Legado do Barão', de Nicolau Gouveia. 

Sobre ‘Mar de Vozes’, trata-se de um romance ficcional que atravessa mais de um século de história, tendo como cenário central o Reid’s Palace Hotel, na Madeira. A narrativa constrói-se a partir de um caderno secreto iniciado em 1891, no dia da inauguração do hotel, onde diferentes mulheres deixam os seus testemunhos, formando um arquipélago de vozes que questiona o que permanece quando a História apaga os nomes.

Entre as figuras históricas e vozes anónimas, como Elisabeth da Áustria, Clementine Churchill, Amália Rodrigues, empregadas do hotel ou médicas em tempos de pandemia, a obra constrói um espaço de confidência, escuta, solidariedade feminina, atravessando gerações e contextos sociais distintos. 

Durante a cerimónia de entrega do galardão, que decorreu, esta tarde, no salão nobre da CMF,  a autora vencedora do Prémio Literário Edmund Bentecourt, Susana Nunes, natural de Lisboa, afirmou ser “uma honra” receber esta distinção, agradecendo ao júri e à Câmara Municipal do Funchal pelo incentivo à cultura e à criação literária.

Durante a cerimónia de entrega do galardão, começou por reconhecer o trabalho dos jurados, destacando a forma atenta como analisaram a obra, deixando igualmente uma palavra de apreço à organização e à equipa que a acolheu.

"Quero agradecer aos jurados pela forma como leram este livro e à Câmara do Funchal por incentivar a cultura através deste prémio", referiu.

Susana Nunes explicou que a génese da obra teve origem numa imagem histórica amplamente conhecida, captada na varanda do Reid’s Palace, onde Winston Churchill surge a olhar para a objectiva, enquanto a sua esposa, Clementine, fixa o olhar nele.

"Nessa fotografia percebi que existiam duas histórias, uma amplamente conhecida e outra que permanecia silenciada", revelou.

A partir dessa percepção, nasceu a vontade de desenvolver uma narrativa que desse voz a personagens e perspectivas menos exploradas, sustentada por um trabalho de investigação sobre as figuras que passaram pela Madeira e pelo emblemático hotel.

"A ideia foi dar voz a quem ainda não estava na história", sublinhou.

No final da intervenção, a autora deixou um agradecimento especial à família, pelo apoio constante, e dirigiu uma mensagem de encorajamento a todos os que se dedicam à escrita.

"Continuem a escrever, mesmo quando o mar está agitado, para que a vossa voz possa ser ouvida", concluiu.

Já o presidente da CMF, Jorge Carvalho, destacou a importância do Prémio Literário Nuno Petencourt enquanto instrumento fundamental para a preservação da memória cultural e para o incentivo à escrita e à leitura. 

Na ocasião, o autarca começou por felicitar a autora vencedora, Susana Nunes, pelo reconhecimento alcançado, deixando também uma palavra de agradecimento ao júri, presidido pela professora Teresa Nascimento, pelo trabalho desenvolvido.

"Estamos a falar da análise de 124 obras, um trabalho exigente e de grande responsabilidade, que merece o nosso reconhecimento", sublinhou. Segundo presidente da CMF, o município sente "enorme satisfação não só pela quantidade de obras a concurso, mas sobretudo pela qualidade apresentada".

Jorge Carvalho lembrou que o prémio assenta em duas vertentes essenciais. Por um lado, a preservação da memória de Edmundo Bettencourt, figura de relevo no panorama literário regional e nacional, e, por outro, o estímulo à criação literária.

"É através deste prémio que a sua memória se mantém viva no quotidiano da nossa cultura", afirmou, acrescentando que a iniciativa visa também "incentivar o aparecimento de novos escritores e promover a leitura".

Recordando que o prémio esteve interrompido durante cerca de uma década e foi retomado em 2021, Jorge Carvalho sublinhou que o galardão tem o valor de 5.000 euros, incluindo ainda a publicação da obra vencedora, que estará disponível ao público já na próxima Feira do Livro.