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Eleições Presidenciais Madeira

Pestana responsabiliza PS e PSD pelas mortes por demora no socorro

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Foto Lusa

O candidato presidencial André Pestana defendeu hoje que as recentes mortes de utentes à espera de socorro são resultado de uma degradação dos serviços públicos, levada a cabo pelos governos do PS e PSD, incluindo a chamada `geringonça'.

"Eu sei que agora apontam só a esta ministra [da Saúde como a responsável]. Claro que esta ministra faz parte do problema, não da solução. Agora, em abono da verdade, esta degradação de serviços públicos tem acontecido nas últimas décadas, por isso, a responsabilidade são dos últimos governos, desde o PSD e o PS, incluindo já com a 'Geringonça'", afirmou.

André Pestana falava aos jornalistas ao fim da manhã de hoje, em Coimbra, quando foi questionado sobre as mortes de um homem no Seixal, na terça-feira, que aguardou três horas por uma ambulância, e de uma mulher em Sesimbra, na quarta-feira, após esperar mais de 40 minutos por socorro.

Foi também noticiada a morte de um homem, na quarta-feira, em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro.

Os últimos governos, no seu entender, "deixaram acontecer" e "não alteraram qualitativamente" a situação de degradação.

Na ocasião, teceu ainda críticas ao Chega, um partido que se diz "líder da oposição", mas que também "não confronta esses interesses, bem pelo contrário, tenta sempre, com um discurso de ódio, desviar os verdadeiros responsáveis".

Apontando para sexta-feira uma iniciativa sobre a questão da saúde, "que é muito grave", o candidato presidencial referiu tratar-se de "mais um exemplo de como os interesses dos negócios de lucro estão a prejudicar as populações".

"No caso da saúde, metade já do orçamento da saúde em Portugal vai para os privados, ou seja: laboratórios, clínicas, hospitais privados estão a receber metade, digamos, do nosso orçamento de Estado", pontuou.

Para o sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), neste cenário, o dever de um Presidente da República "é pressionar".

"Deve pressionar para que, claramente, por exemplo, se nós precisamos há décadas de fazer análises aos laboratórios, o Estado tem condições de ter esses laboratórios públicos, em que o preço obviamente vai ser muito mais barato. Poupa-se muito dinheiro e não se dá muito lucro para quem tem ganhado muito à custa disso", defendeu.

Na ótica do sindicalista, o dinheiro poupado nesta e em outras situações deve ser aplicado na valorização das carreiras "de todos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde", incluindo médicos, enfermeiros, assistentes operacionais ou paramédicos.

"Só assim é que será possível atrair as pessoas e assim, obviamente, vai ser muito mais difícil ver a situação que nós estamos a ver, que é urgências fechadas, grávidas a darem à luz em sítios inadequados ou então pessoas a morrerem à espera do INEM", disse.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.

Entre os 11 candidatos, estão Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.