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Madeira

Cancro livra músico pedófilo de cumprir 4 anos de prisão na Madeira

Foto Shutterstock
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Um músico aposentado, de 74 anos, natural dos Países Baixos mas residente há vários anos na Madeira, foi condenado, esta tarde, no tribunal do Funchal (Edifício 2000), a 4 anos de prisão pela prática do crime de pornografia de menores. O colectivo decidiu, no entanto, suspender a pena, devido à idade do arguido e ao facto de padecer de cancro e internado no seu país de origem.

Na leitura da decisão, a juíza Teresa de Sousa explicou que não é nada comum o tribunal suspender penas de prisão por este tipo de crimes e que só a idade e a doença do arguido levaram a ponderar esta alternativa. Apesar desta medida excepcional, o tribunal do Funchal promete ficar vigilante e em caso do arguido voltar a reincidir na consulta e partilha de ficheiros de pornografia infantil, irá para a prisão. “Vamos ficar vigilantes. Mesmo um doente pode ter acesso a um computador. Não tenha dúvidas que se cometer algum crime similar, cumpre pena. A propensão para a pedofilia está lá. Tenha a idade que tiver. [A suspensão da pena de prisão] será revogada sem grande misericórdia”, avisou a juíza.

O colectivo deu como provados todos os factos que constavam da acusação do Ministério Público. Em Agosto de 2020, o arguido terá partilhado fotos e vídeos de menores em actividades de cariz sexual. Nas buscas efectuadas pela Polícia Judiciária em Dezembro de 2021 à casa deste homem na Ponta do Sol, a PJ encontrou 140 ficheiros com conteúdo pedófilo, além de um vídeo de uma adolescente em biquíni, que reside nas vizinhanças da sua moradia.

Devido à sua delicada situação de saúde, o arguido não compareceu a nenhuma audiência de julgamento. O seu advogado, Alejandro Mena, explicou que o seu cliente assumiu em sede de primeiro interrogatório judicial a tendência para 'consumir' fotos e vídeos de menores em actividades sexuais mas "não participou em nenhuma quadrilha" para distribuição desse tipo de conteúdos. Adiantou ainda que só depois de ler o acórdão vai avaliar se vale a pena recorrer da decisão. "Só espero que os anos que lhe restam sejam em paz", rematou o advogado.