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Presidente do México nega aumento de remessas de petróleo para Cuba

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Foto Shutterstock

A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, negou hoje que o seu país tenha aumentado o nível de remessas de petróleo para Cuba, agora mais importantes para a ilha comunista devido à queda acentuada nas entregas da Venezuela. 

"Ontem, perguntei à Pemex (Petróleo Mexicano, empresa estatal), que não me forneceu os dados, mas não está a ser enviado [para Cuba] mais petróleo do que historicamente. Não há nenhuma remessa específica", declarou a Presidente na sua conferência de imprensa matinal. 

A presidente mexicana foi confrontada com uma notícia de terça-feira do jornal britânico Financial Times dando conta de que o aumento das exportações pelo governo de esquerda do México impulsionou significativamente o fluxo de petróleo para Cuba no ano passado, ajudando a ilha a suportar uma queda acentuada nas remessas da Venezuela.  

A organização Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI) revelou hoje que o Governo mexicano continuou a enviar combustível subsidiado para Cuba em 2025, apesar da pressão dos Estados Unidos.  

De acordo com um relatório da MCCI, o governo de Sheinbaum autorizou a exportação de gasóleo e outros combustíveis de portos mexicanos para Cuba em novembro e dezembro de 2025, depois de em meados do ano aumentar os envios de combustível subsidiado, com exportações superiores a 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros), três vezes mais do que durante os dois últimos anos do governo do ex-Presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024).  

Sheinbaum afirmou que a remessa "histórica" de petróleo para o povo cubano faz parte do contrato e da ajuda humanitária à ilha, reconhecendo que "o México tornou-se claramente um fornecedor importante" dada a situação atual na Venezuela, após a detenção do Presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.  

A Presidente mexicana reiterou que o petróleo é enviado do México para Cuba há muitos anos por diversas razões, e que mesmo durante o governo do ex-Presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018), foram perdoadas dívidas do regime comunista.  

De acordo com dados do Instituto de Energia da Universidade do Texas (EUA) fornecidos à EFE, no final de dezembro Cuba recebeu dois navios do México que transportavam um total de 80 mil milhões de barris de petróleo.

Cuba tem sofrido cortes de energia de 20 horas ou mais por dia em grandes partes do seu território e as remessas serviriam para ajudar a aliviar a crise de energética na ilha. 

Sobre a captura de Maduro por forças norte-americanas, Sheinbaum defendeu que "a lei da força" não pode prevalecer face à ONU, que "precisa de ser reforçada", bem como a outras organizações multilaterais.  

"As Nações Unidas precisam de ser reforçadas. Precisam de representar realmente um espaço de coordenação multilateral e também de garantir que, em situações como as que estamos a enfrentar, a lei da força não prevalece", declarou a líder mexicana. 

Numa altura em que ainda lida com o impacto da imposição de tarifas alfandegárias punitivas pelo homólogo norte-americano Donald Trump, Sheinbaum rejeitou a alternativa de ações unilaterais por "quem tiver o maior exército ou a maior economia".