Mendes afirma-se como única garantia de estabilidade e apela ao voto útil para evitar "tiros no pé e no escuro"
O candidato presidencial Luís Marques Mendes distanciou-se hoje dos adversários na corrida a Belém, alegando que será o único a garantir estabilidade ao país, e insistiu no apelo ao voto útil para evitar "tiros no pé e no escuro".
"De um lado, os que querem instabilidade, ou pelo menos aqueles que têm atitudes que acabam a resultar em instabilidade em Portugal. Do outro lado, eu que desde o primeiro dia sublinho a importância da estabilidade. A estabilidade para ter ambição, para ter crescimento, para ter consciência social, para reformar, para assegurar melhores níveis de vida para os portugueses", afirmou.
O candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP discursava numa sessão de esclarecimentos no Salão Central Eborense, em Évora, a última iniciativa de campanha de hoje.
Luís Marques Mendes avisou que "só é possível" uma Presidência "com independência, com experiência, moderação e com abrangência" com a concentração de votos ao centro.
"É preciso uma forte concentração de votos na área do centro, para evitar populismo, para evitar experimentalismo, para evitar tiros no pé, para evitar tiros no escuro. Este é um momento essencial, não se trata de dramatizar, trata-se de esclarecer", salientou.
Marques Mendes considerou também que "dispersar votos ajuda ao populismo, até pode ajudar o experimentalismo".
"O tempo não é de brincadeira, o tempo não é para fazer experiências. O tempo é, acima de tudo, para nós pensarmos no nosso país", defendeu.
O candidato a Presidente da República referiu diretamente alguns dos seus adversários nas eleições presidenciais do próximo dia 18 e insistiu na acusação de que querem "criar instabilidade".
"Uns, por um lado, são candidatos partidários, tipicamente partidários, como é o candidato do Chega. E, portanto, são aqueles candidatos que só sabem viver em campanha eleitoral permanente [...]. Depois temos o candidato do PS que, com aquela ideia um pouco absurda dos ovos e dos cestos, quer ser um contrapoder, ou seja, alguém que quer ajudar a criar instabilidade. E depois temos o candidato da IL que, com a divisão que está a criar no espaço da direita e do centro-direita, só ajuda, evidentemente, a favorecer o populismo, logo a gerar e a criar instabilidade", criticou, considerando também que Gouveia e Melo "se viciou em dissoluções".
"Não é apenas uma questão de 'marketing' em campanha eleitoral. Não, é uma questão muito séria. O Presidente da República tem de ser o primeiro defensor da estabilidade em Portugal, em nome das pessoas, em nome dos mais frágeis da sociedade", afirmou.
Luís Marques Mendes disse mesmo querer ser "o Presidente da estabilidade" que vai ajudar "o Governo a ter condições para governar".
"O Governo foi eleito pelos portugueses para governar durante quatro anos, e nós não podemos passar a vida em eleições, porque não é modo de vida andar a fazer eleições todos os anos ou de dois em dois anos", salientou, indicando também que vai "exigir resultados" e ajudar a "reforçar políticas importantes para o presente e o futuro do país", como a "baixa de impostos".
O candidato e antigo líder do PSD recusou ser "um Presidente do imobilismo" ou "da paralisia", nem permanecer "numa torre de marfim".
Neste discurso de cerca de 25 minutos, Luís Marques Mendes prometeu ainda que, se for eleito Presidente da República, o 10 de Junho em 2027 será comemorado em Évora, no mesmo ano em que a cidade será Capital Europeia da Cultura.
"Acho que é uma grande oportunidade para Évora, acho que é uma grande oportunidade para o Alentejo, acho também que é uma grande oportunidade para Portugal e uma grande oportunidade para projetar o dia da nossa portugalidade na Europa e no Mundo", afirmou.
Antes da sessão de esclarecimentos, o candidato percorreu um pequeno percurso a pé, desde o Templo Romano de Évora até ao Salão Central Eborense, acompanhado pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, e o vice-presidente do PSD e deputado Alexandre Poço, e além de outros apoiantes.