DNOTICIAS.PT
Eleições Presidenciais País

Catarina Martins considera vergonhosa posição do Governo português sobre Venezuela

None
Foto Lusa

A candidata presidencial Catarina Martins classificou hoje de vergonhosa a posição do Governo português face ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, argumentando que defender Portugal implica defender também o direito internacional.

"Isto não tem a ver com defender ou não o regime de Nicolás Maduro, tem a ver com questões do direito internacional", afirmou, considerando que a posição assumida por Portugal no sábado, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, "é vergonhosa".

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à Feira de Canidelo, em Vila Nova de Gaia, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda argumentou que ao não condenar os Estados Unidos, Portugal mostra-se conivente "com a lei do mais forte".

"Essa é a política mais fraca de todas. É a que vai depois dizer a (Vladimir) Putin que pode ficar com a Ucrânia, que a China pode ficar com Taiwan, e que (Donald) Trump, se quiser, também pode vir à Europa buscar a Gronelândia. Isto é inaceitável", acrescentou.

Para Catarina Martins, uma posição que defendesse Portugal seria uma posição de defesa do direito internacional, mas a candidata a Presidente da República acredita que não é tarde para seguir nesse sentido.

"Ainda estamos a tempo para uma articulação da comunidade internacional e dos chefes de Estado de condenação inequívoca do que aconteceu, para defenderem o direito internacional e, com isso, defendermos a paz", concluiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu no sábado "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".  

"Temos esta situação de facto e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade, governabilidade à Venezuela", disse Paulo Rangel, numa declaração à imprensa, no Palácio das Necessidades.

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Entre abraços e criticas, Catarina Martins diz querer ser "guardiã do equilíbrio"

Numa manhã de visita à feira de Canidelo, em Vila Nova de Gaia, Catarina Martins recebeu abraços e palavras de apoio, mas também críticas que fez questão de ouvir, assumindo depois querer ser uma "guardiã do equilíbrio".

"Eu trabalho desde os 18 anos e não tenho direito a nada, e vocês querem mandar vir para cá os outros...", gritava uma jovem pouco depois de a candidata ter chegado à feira, enquanto lançava acusações de hipocrisia e críticas aos imigrantes.

Num ambiente em que, até então, tinha recebido palavras de apoio de comerciantes e clientes, Catarina Martins fez questão de parar e ouvir as queixas, mas a troca de palavras durou pouco, após a jovem afirmar que não queria conversar.

"É natural que haja muito desespero e muita revolta quando temos um país que não está a dar resposta, mas também temos muitas mentiras a serem espalhadas. É importante, nesta campanha, respondermos a isso", disse mais tarde aos jornalistas.

Afirmando que, enquanto Presidente da República, pretende ser "uma guardiã do equilíbrio das políticas", a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda disse que durante a campanha, que arrancou hoje oficialmente, fará questão de trazer para o debate os problemas das pessoas.

"Não estou dentro de nenhuma bolha, estou em todo o lado. As pessoas vêm falar comigo, querem vir falar comigo e cindo que há um crescente apoio porque sabem que serei uma Presidente da República que fala da sua vida e que não as abandona", argumentou.

Esse apoio foi também sentido durante a visita à feira, onde Catarina Martins foi abordada com abraços por várias pessoas.

"A menina é que devia ir para lá, não era mais ninguém", comentava um cliente com a esposa, à passagem da candidata.

Voltando às críticas da jovem, Catarina Martins insistiu que compreende as frustrações de quem "tem um salário curto, está precário e sente que não tem resposta neste país", mas alertou para as narrativas falsas, em particular, contra os imigrantes.

"Quando ouço uma jovem dizer que os imigrantes vêm para cá receber apoios e sei que isso é mentira, porque os imigrantes contribuem para a segurança social (...), sei que a mentira também está a matar a nossa democracia, porque com a mentira não é possível debater, não é possível construir soluções", sublinhou.