Jorge Pinto critica Governo português por não condenar ataque à Venezuela
O candidato presidencial Jorge Pinto criticou hoje a posição do Governo português face ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, considerando que os portugueses mereciam ter um executivo que fosse "taxativo a condenar todas as invasões".
"Parece-me, por aquilo que foi dito por parte dos representantes do Governo, que essa condenação não foi cabal, se calhar até inexistente, e acho que os portugueses mereciam mais", disse, após ser questionado sobre a posição do executivo português em relação ao ataque norte-americano em território venezuelano.
O candidato apoiado pelo Livre falava aos jornalistas à entrada do Mercado Municipal de Angeiras, em Matosinhos, onde iniciou o período oficial de campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Jorge Pinto considerou que os "portugueses mereciam ter um Governo que fosse taxativo a condenar todas as invasões, todos os ataques que são ilegais aos olhos do direito internacional" e um Presidente da República que, "não esquecendo a necessidade de diplomacia", é "transparente em relação à necessidade de respeito do direito internacional".
Para o deputado, quando se desrespeita o direito internacional está a dar-se "carta branca a todos aqueles que acreditam na lei do mais forte"
"E nós em Portugal, deixem-me dizer-vos uma coisa, não somos o elo mais forte da cadeia", acrescentou.
O candidato a Belém defendeu que os portugueses merecem ter à frente do país alguém que "perceba que o que está a acontecer neste momento vai ditar o futuro das relações internacionais das próximas décadas", reiterando que não quer "regressar a um mundo parecido como o do século XIX" onde "os mais fortes decidem o futuro dos mais fracos".
Insistindo no seu repúdio ao regime liderado por Nicolás Maduro, Jorge Pinto disse "não poder estar confortável com o modo como ele foi retirado do poder".
"O que é que vai acontecer hoje? O que é que vai acontecer amanhã? Nós ouvimos o que disse Donald Trump, e claramente não há nenhum plano para o país que não seja extrair, roubar os recursos naturais do país, e estando até muito confortável com o madurismo mantendo-se no poder", disse, sublinhando que o chefe de Estado norte-americano não mostrou qualquer vontade de democratizar o país ou dar liberdade aos venezuelanos.
O candidato afirmou ainda que Portugal e a União Europeia precisa de "acordar já" ou então arrisca-se a "acordar quando a situação já for demasiado grave para todos" e com "consequências na vida diária".
O ministro dos Negócios Estrangeiros português defendeu este sábado "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".
"Temos esta situação de facto e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade, governabilidade à Venezuela", disse Paulo Rangel, numa declaração à imprensa, no Palácio das Necessidades.
Os Estados Unidos lançaram, este sábado, "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Jorge Pinto promete "campanha diferente" e garante que concorre para vencer
O candidato presidencial Jorge Pinto prometeu hoje uma "campanha diferente", com uma nova mensagem, para ser a "boa surpresa" destas eleições e afirmou que concorre com o objetivo de ser eleito Presidente da República.
No primeiro dia de campanha eleitoral, Jorge Pinto foi ao Mercado Municipal de Angeiras, em Matosinhos, onde, em declarações aos jornalistas, anteviu que a sua volta pelo país será diferente, com uma nova forma de comunicar, mensagens diferentes das habituais e disponibilidade para ouvir as pessoas "como elas merecem".
"Fazer a campanha de maneira diferente hoje em dia é ouvir as pessoas como elas devem ser ouvidas, é falar com elas, falar à sua inteligência como elas merecem e não é menosprezar o eleitorado, não é, sobretudo, tratar o eleitorado como se fossem incompetentes ou como se fossem apenas peões num grande jogo político que apenas os políticos podem jogar", defendeu.
Depois de este sábado ter dito que será a "boa surpresa" destas eleições, o candidato presidencial reiterou a mensagem, explicando que concorre com o objetivo de "ser Presidente da República" porque os portugueses merecem um chefe de Estado que "faz política de uma maneira diferente".
"Eu estou muito cansado e acredito que os portugueses estão muito cansados de ouvir este discurso mais do mesmo e de que aquilo que é diferente, aquilo que dá audiências, aquilo que dá popularidade é trazer o ódio, trazer a agressão, berrar, falar mais alto. Eu não falo muito alto, eu não gosto de berrar, eu gosto de falar às pessoas diretamente para que elas possam ouvir", disse.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026. A campanha eleitoral arranca hoje e decorre até 16 de janeiro.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum deles consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.