Chega pede mais acção do Estado para a libertação de luso-descendentes na Venezuela
O grupo parlamentar do Chega reuniu-se na Assembleia da República com representantes do Comando Con Venezuela, estrutura ligada às forças democráticas venezuelanas lideradas por María Corina Machado, para analisar a situação política e humanitária na Venezuela, com enfoque nos presos políticos luso-descendentes detidos no país.
Na reunião participaram, em representação do Chega, os deputados Ricardo Regalla Dias-Pinto e Francisco Gomes. Pelo Comando Con Venezuela estiveram presentes Ana Cristina Monteiro, membro do comando em Portugal, María Alejandra González, filha de Juan Rodríguez dos Ramos, preso político com nacionalidade portuguesa, Nohelia Álvarez, filha de Noel Álvarez, cidadão português libertado condicionalmente há dois meses, e Pedro Antonio de Mendonça, diretor do Comando Mundo Con Venezuela, responsável pela coordenação internacional da diáspora venezuelana.
Durante o encontro foi discutida a situação de vários presos políticos luso-descendentes, detidos pelas autoridades venezuelanas, alegadamente sem acusação formal, sem acesso a um processo judicial considerado justo e, em alguns casos, em condições de saúde delicadas.
No final da reunião, o deputado Ricardo Regalla Dias-Pinto considerou que o Governo português não tem adoptado uma actuação suficientemente firme para garantir a libertação destes cidadãos e descendentes de portugueses, defendendo uma postura mais ativa por parte do Estado. “Portugal está a falhar com os seus. Há presos políticos luso-descendentes esquecidos em cadeias venezuelanas, sem direitos, sem julgamento e sem protecção efectiva do Estado português”, afirmou.
Por sua vez, o deputado madeirense Francisco Gomes referiu que os cidadãos detidos na Venezuela com ligações a outros países europeus, como Espanha, Itália, França ou Alemanha, têm sido libertados, ao contrário do que acontece, segundo afirmou, com os luso-descendentes. “Outros países protegem os seus cidadãos e descendentes. Portugal adopta uma postura macia e conformada, e quem paga são famílias inteiras que vivem este drama em silêncio”, declarou.
O parlamentar madeirense acrescentou que o Chega pretende dar visibilidade à situação das famílias afectadas e pressionar o Estado português a adoptar uma estratégia semelhante à de outros países europeus na defesa dos seus cidadãos no estrangeiro.
“O Chega não aceita que portugueses sejam abandonados por conveniência diplomática. Vamos continuar a denunciar, a pressionar e a dar voz a quem foi esquecido”, concluiu.