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A Guerra Mundo

Temperaturas vão descer até -30. °C enquanto russos visam centrais energéticas

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Foto EPA

A temperatura na Ucrânia poderá descer até aos 30 graus Celsius negativos nos primeiros dias de fevereiro, previu hoje a agência meteorológica ucraniana, numa altura em que ataques russos visam infraestruturas energéticas.

Segundo o Centro Hidrometeorológico Ucraniano, de 01 a 03 de fevereiro, na Ucrânia, "está previsto tempo muito frio: as temperaturas noturnas devem cair para -20. ºC a -27. °C e, em algumas partes (...), devem cair para -30 °C".

A Rússia tem utilizado a descida da temperatura e o frio como uma arma contra a Ucrânia, com as Forças Armadas de Moscovo a realizarem ataques com mísseis e drones contra as infraestruturas energéticas ucranianas, deixando milhares sem eletricidade e aquecimento.

Em conjunto com o Banco Europeu de Investimento, a Comissão Europeia disponibilizou hoje mais 50 milhões de euros à empresa estatal ucraniana de energia, a Naftogaz.

O valor será utilizado para apoiar o sistema energético do país durante o inverno mais rigoroso desde o início da guerra, informou a agência ucraniana Ukrinform.

A União Europeia (UE) também entregou esta semana à Ucrânia 447 geradores de energia, no valor de 3,7 milhões de euros, para restaurar a eletricidade em hospitais, abrigos e outros serviços essenciais.

Estão ainda a ser mobilizados mais 500 geradores, todos provenientes das reservas estratégicas do programa rescEU, para ajudar a manter os serviços essenciais em funcionamento.

O rescEU foi criado no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da UE como uma reserva estratégica de capacidades e estoques europeus de resposta a desastres.

A rede energética ucraniana foi severamente afetada nos últimos meses por uma série de ataques russos que danificaram centrais elétricas, transformadores e o setor de gás do país.

Estes ataques provocaram grandes cortes de eletricidade e aquecimento, numa altura em que as temperaturas já são gélidas, nomeadamente na capital Kiev, onde até metade da cidade foi afetada em determinados momentos, e nas grandes cidades de Kharkiv (nordeste), Odessa (sul) e Dnipro (centro).

As autoridades ucranianas disseram estar a realizar trabalhos de emergência para restaurar a rede e abriram espaços dedicados onde os habitantes podem aquecer-se e ter acesso à eletricidade.

A autarquia de Kiev indicou que 613 edifícios continuavam sem aquecimento na capital.

Esta situação ocorre enquanto russos, ucranianos e norte-americanos negociam em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, um possível cessar-fogo, com uma nova sessão de negociações prevista para domingo.

Os 50 milhões de euros destinados a apoiar a rede energética ucraniana inserem-se numa tranche de 153 milhões de euros em apoio da UE à Ucrânia e à Moldova.

À Moldova destinam-se oito milhões de euros para "apoiar o acolhimento de refugiados ucranianos que fugiram da guerra", precisou a Comissão Europeia num comunicado.

Este empréstimo adicional, concedido através do Mecanismo para a Ucrânia, reforça a resposta europeia às necessidades energéticas mais prementes do país, elevando o apoio total da UE para compras de gás de emergência para o inverno de 2025-2026 para 977 milhões de euros.

No que toca à ajuda humanitária, a UE tem vindo a prestar apoio desde a invasão da Crimeia em 2014, que foi reforçado com a ocupação russa em grande escala em 2022.

Nos últimos quatro anos, a Comissão Europeia atribuiu mais de 1,4 mil milhões de euros a programas de ajuda humanitária na Ucrânia e na Moldova.

Ao todo, o apoio da UE à Ucrânia desde o início da invasão ascende a 193,3 mil milhões de euros.