Kallas espera que UE designe hoje Guarda Revolucionária como organização terrorista
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse hoje esperar que os Estados-membros cheguem a acordo para designar a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista e anunciou que vão ser impostas novas sanções ao país.
"Vamos impor novas sanções e também espero que concordemos em designar a Guarda Revolucionária do Irão como organização terrorista. Isso faria com que ficassem em pé de igualdade com a Al Qaeda, o Hamas e o Estado Islâmico", afirmou Kaja Kallas em declarações aos jornalistas à entrada para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se realiza hoje em Bruxelas.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança defendeu que, "quando se age como terrorista, deve-se ser tratado como terrorista", criticando o papel desempenhando pela Guarda Revolucionária no Irão, exército ideológico da República Islâmica, na repressão às manifestações no país no último mês.
"O balanço de vítimas e os meios utilizados pelo regime são verdadeiramente aterradores. Por isso é que estamos a enviar a mensagem de que, quando se reprimem as pessoas, isso tem um preço e merece sanções", afirmou.
Questionada sobre como é que reage às preocupações que têm sido manifestadas por alguns Estados-membros de que a designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista poderia dificultar o funcionamento das embaixadas europeias no Irão, Kaja Kallas disse que "esses riscos foram calculados".
"A nossa expectativa é que os canais diplomáticos se mantenham abertos, mesmo depois de designarmos a Guarda Revolucionária" como organização terrorista, disse.
Sobre quais vão ser as sanções em concreto que vão ser impostas ao Irão, Kaja Kallas disse que a UE identificou "um conjunto de pessoas e entidades responsáveis pela violência contra os manifestantes".
Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas foi ainda questionada se está preocupada com os relatos que indicam que os Estados Unidos terão dito à Ucrânia que só lhe darão garantias de segurança se ceder à Rússia todo o Donbass.
A Alta Representante salientou que já "muitas concessões têm sido feitas pelo lado ucraniano", considerando que isso está a "deixar a situação pouco clara, porque não é a Ucrânia que está a agredir ninguém, é a Rússia".
"Por isso deveríamos pôr mais pressão na Rússia para que se façam concessões do lado russo. É muito importante que demos garantias de segurança tangíveis à Ucrânia e também vamos falar sobre isso hoje", referiu.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se hoje em Bruxelas para decidir novas sanções à Rússia e aos responsáveis pela repressão no Irão, devendo também discutir a situação na Síria, Palestina e República Democrática do Congo.
Os chefes das diplomacias vão também decidir se designam a Guarda Revolucionária do Irão, exército ideológico da República Islâmica, como organização terrorista, numa altura em que cada vez mais Estados-membros, como a França ou Itália, mudaram de posição e admitem agora dar esse passo, que requer a aprovação por unanimidade.
De acordo com dados atualizados da organização não-governamental (ONG) Human Rights Activists News Agency (HRANA), 6.221 pessoas morreram durante os protestos, estando a ONG a investigar mais de 17.000 possíveis mortes, tendo estimado pelo menos 42.324 detenções.
Teerão já advertiu para "consequências destrutivas" caso a UE avance com a classificação da Guarda Revolucionária como organização terrorista.