Oposição não sabia decisão de 2023 tomada pelo Governo de António Costa?!
Miguel Albuquerque confirmou o que se sabia desde 2023: decidido em Conselho de Ministros de um Governo de António Costa – o tal do PS e onde estava o até há poucos dias líder regional do partido – o Hospital Dr. Nélio Mendonça seria para venda, com o terreno a ser usado para fins de habitação a custos controlados. Isto foi, repito, em 2023. Onde estava a Oposição na altura? Porque é que não se insurgiram contra a decisão?
Das duas, uma: ou desconheciam, o que revela um acompanhamento desastroso e uma ignorância atroz dos assuntos da Região; ou sabiam, mas como era uma decisão de António Costa, a Esquerda não fez alarde. Na altura, “comeu e calou”. E fez-se silêncio.
Bastou Miguel Albuquerque, questionado pelos jornalistas sobre se o Hospital Dr. Nélio Mendonça seria para venda, confirmar a alienação, limitando-se, repito, a confirmar uma decisão de Lisboa, tomada de forma a garantir o financiamento do novo Hospital. Uma decisão, repito, a que Lisboa sujeitou a Região, sob pena de não ver transferidas para cá as verbas necessárias para a construção do Hospital Central e Universitário de Lisboa.
Repita-se: confirmou! Como a Comunicação Social escreveu e disse.
Infelizmente, a Oposição – então o PS… – não aprendeu nada ao longo dos anos. Lamento que assim seja, até porque a Madeira precisaria de uma alternativa séria, forte e credível. Esta Oposição que a Região tem, infelizmente, ainda não aprendeu a informar-se corretamente, a ponderar. Continua “a disparar primeiro e a perguntar depois”…. Depois, como já é hábito, “mete os pés pelas mãos”.
É que não é só a questão de quem teve a ideia – curioso ver Paulo Cafôfo vir pedir esclarecimentos e insurgir-se contra uma decisão que saiu do Governo da República, do qual fez parte – é também a ideia de transformar o Hospital Dr. Nélio Mendonça num Lar.
E não é só uma questão do custo dessa adaptação (107 milhões de euros!), é também fazer contas a quantos idosos poderiam ser ali institucionalizados, à falta de condições de todo aquele espaço para essa nova tarefa, ao número exagerado de idosos num mesmo espaço (quase que parecendo um depósito) …. E, já agora, quem conseguiria gerir uma estrutura desse tamanho? E quem garantiria a segurança dos utentes num edifício com aquela dimensão?
Malevolamente, ignora-se também as centenas de camas que o Governo Regional está a criar, aproveitando verbas do PRR (mas não só) para disponibilizar vagas em quantidade e qualidade.
A Oposição ignorava também que a venda do Hospital seria para custear o novo e que os terrenos em causa seriam para habitação a custos controlados? E não negócio imobiliário, como demagogicamente puseram a correr nas redes sociais?! A Oposição quer ou não mais Habitação?
Compreende-se e até aceita-se a emoção da defesa de um Hospital onde nasceram a grande maioria dos madeirenses com mais de 50 anos. Mas, na política, a emoção tem lugar, mas a razão deve sempre imperar! E a verdade também. A demagogia pode ter sucesso algumas vezes, durante alguns dias, mas depois é rejeitada pelo povo. Como se viu nas últimas eleições na Madeira!
Ângelo Silva