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ONU alerta para "escalada catastrófica" da violência no Sudão do Sul

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Foto AFP

A Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Sudão do Sul alertou hoje para uma "escalada catastrófica" da violência no país, sublinhando que a situação ameaça o acordo de paz de 2018.

O alerta foi feito numa altura em que os combatentes do Exército Popular de Libertação do Sudão na Oposição (SPLA-IO) tomaram o controlo de Pajut, uma cidade estratégica no estado de Jonglei, o que alguns observadores consideram a violação mais significativa do cessar-fogo estabelecido com a assinatura do chamado Acordo de Paz Revitalizado, que estabeleceu a paz há oito anos.

"A escalada representa uma grave erosão do Acordo Revitalizado e expõe a população civil a riscos de morte, deslocação e privação", afirmou a comissão, em comunicado, instando ainda "uma diminuição imediata das tensões" e pedindo o "fim das hostilidades em áreas povoadas por civis, incluindo de ataques aéreos, ofensivas terrestres e operações militares".

A organização manifestou "profunda preocupação" com os ataques aéreos indiscriminados das Forças de Defesa Popular do Sudão do Sul (SSPDF), o exército leal ao Presidente, Salva Kiir, e com a crescente mobilização de milícias armadas.

"A proteção dos civis não é opcional, é uma obrigação legal do Governo", afirmou o presidente da Comissão, Yasmin Sooka, em comunicado hoje divulgado.

O organismo de direitos humanos da ONU para o Sudão do Sul estima que mais de 100 mil pessoas tenham sido deslocadas à força em Jonglei desde o final de dezembro de 2025, muitas das quais fugiram sem alimentos, abrigo ou acesso a serviços básicos.

Os repetidos bombardeamentos nas regiões de Uror, Ayod e Nyirol também destruíram mercados e instalações médicas, agravando a crise humanitária.

"O que estamos a testemunhar em Jonglei não é um incidente de segurança isolado, é uma escalada perigosa que está a acontecer noutras partes do país e pode ter consequências políticas e de segurança de longo alcance", refere a comissão.

"Os civis sul-sudaneses estão a pagar o preço mais elevado por erros de cálculo políticos", alertou.