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Portugueses na Dinamarca preocupados com impacto económico da disputa pela Gronelândia

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Foto EPA

A comunidade portuguesa na Dinamarca está mais preocupada com os impactos económicos do interesse norte-americana pela Gronelândia do que com um eventual conflito, afirma a presidente da Associação Portuguesa na Dinamarca em entrevista à agência Lusa.

A posição reflete a tranquilidade da sociedade dinamarquesa, que, segundo Carmina Cordeiro, considera vazias as ameaças do presidente dos EUA de tomar o território ártico pela força.

 "Não noto os portugueses preocupados, porque a sociedade dinamarquesa não está preocupada. Os dinamarqueses são um povo muito sereno, que gere os conflitos de uma maneira diferente e muito menos apaixonada do que nós. Enquanto comunidade portuguesa aqui, acabamos por também não entrar em pânico", conta em entrevista à Lusa a presidente da Associação Portuguesa na Dinamarca, Carmina Cordeiro.

 Os dinamarqueses, destaca, "não levam isto a sério e acreditam que se encontrará uma solução", referindo que a Gronelândia era até recentemente, um assunto quase nada falado e uma realidade tida como distante.

 No país nórdico há 16 anos, a professora de francês diz que os seus alunos, de uma escola privada no centro de Copenhaga, estão maioritariamente alheios à questão. Acrescenta ainda que a Gronelândia não é tema entre os outros professores, em contraste com os poucos gronelandeses a viver em Copenhaga que conhece e que diz estarem ansiosos e preocupados.

"É uma inquietação muito quieta", diz do sentimento dominante na comunidade portuguesa, cujos membros estão mais preocupados com os impactos económicos da atual situação geopolítica.

"Está tudo muito mais caro por causa desta questão, há empresas a fechar e há despedimentos. Os portugueses estão muito mais preocupados com isso. O efeito é mais secundário do que propriamente direto", explica, acrescentando que a sua avaliação é feita pelo contacto direto com as pessoas, visto tratar-se de uma comunidade pequena, em que muitos se conhecem pessoalmente.

 "Tem-se sabido de vários casos de portugueses donos de empresas que despediram pessoas, assim como portugueses despedidos de outras empresas. Mas não são só os portugueses, é geral", conta.

"As pessoas estão a passar dificuldades", diz, afirmando que há membros da comunidade a pedir ajuda à associação, à qual pedem dicas e informação para encontrar novo emprego.

 A comunidade portuguesa na Dinamarca representa cerca de 0,1% da população do país. Tem, no entanto, crescido nos últimos vinte anos, atingindo os 4987 residentes em 2025, de acordo com dados do instituto de estatística dinamarquês.

 Os Estados Unidos têm declarado publicamente a sua intenção de controlar a Gronelândia, um território autónomo do reino da Dinamarca, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.

O Presidente Donald Trump considera que a localização estratégica desta ilha do Ártico é vital para a defesa dos Estados Unidos e diz estar preparado para a tomar pela força.