“A desinformação não vota, mas influencia”
Desde Novembro de 2025, a desinformação associada às Eleições Presidenciais soma mais de 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais, com André Ventura a concentrar 85,7% dos casos. Ainda ontem, 14 de Janeiro, a Entidade Reguladores para a Comunicação Social abriu três procedimentos sobre o cumprimento da lei das sondagens, após a monitorização da desinformação nas redes sociais na campanha presidencial.
Agência Lusa , 14 Janeiro 2026 - 23:58
A 7 de Janeiro, a CNE lançou uma campanha para combater a desinformação em períodos de campanha eleitoral, com o mote “A desinformação não vota, mas influencia”. Nesta campanha, para a qual foi criado um microsite, alerta para os perigos da desinformação, reforça a literacia mediática e digital, ajuda a identificar filtrar e separar a informação da desinformação. Neste ‘Explicador’ partilhamos as dicas compiladas pela Comissão Nacional de Eleições.
Andreia Correia , 07 Janeiro 2026 - 17:33
A campanha lançada, este mês, pela CNE pretende apoiar os cidadãos a identificar, prevenir e denunciar a desinformação em períodos eleitorais. Surge “num contexto de aumento da desinformação durante actos eleitorais e da necessidade de proteger a integridade do processo democrático”, segundo a Comissão. O microsite desinformacao.cne.pt contém informação sobre como reconhecer os sinais, prevenir e denunciar a desinformação.
“A democracia, antes de ser voto, é a capacidade de avaliar informação”, defende a CNE no ‘Guia Rápido de Verificação’. “A mente humana interpreta consenso como facto e as redes sociais manipulam esse instinto. Perfis falsos, contas automatizadas e campanhas coordenadas replicam mensagens em cascata, fabricando ‘tendência’, mas volume não é sinónimo de legitimidade”, alerta.
A CNE aconselha a verificação em três passos, da origem, conteúdo e contexto. O cidadão deve questionar-se sobre quem fala, com que legitimidade, histórico e incentivos; perceber se o que afirma é um facto susceptível de prova ou uma interpretação emocional; e integrar tempo, lugar e circunstância na sua análise. Segundo a CNE, “um eleitor que se habitua a estas perguntas reduz drasticamente o risco de manipulação”.
Quem está a falar é um órgão institucional ou uma página opaca? Um autor identificado ou um alias digital? O que está a ser dito é um facto ou uma opinião? Pode ser confirmado externamente? A data em que foi dito corresponde com o acontecimento? Existem fontes oficiais? Números conhecidos? Há contraditório jornalístico? Estas são algumas das questões que a CNE aconselha o eleitor a fazer.
Agência Lusa , 14 Janeiro 2026 - 02:22
Numa realidade em que imagens e áudio podem ser sintetizados por Inteligência Artificial é importante o foco em fontes jornalísticas tradicionais, transcrições oficiais, declarações registadas, conferências públicas e evitar basear a informação apenas em excertos, que podem ser cortados fora de contexto. O escrutínio deve estender-se, também, aos números. “Estatísticas são armas emocionais, porque parecem neutras, mas também carecem de verificação”, alerta a CNE.
Que crime? Em que território? Em que período? Com que metodologia? Quem recolheu os dados? Como interpretá-los? São estas as perguntas propostas pela Comissão Nacional de Eleições aos eleitores, para uma melhor análise a números e estatísticas.
A CNE elaborou, também, um ‘Guia para Partilha Responsável de Conteúdos’, porque “cada partilha, cada comentário, cada silêncio influencia o ecossistema”. Assim, o cidadão deve não amplificar conteúdos falsos, mesmo que concorde ideologicamente com aquilo que está a ser partilhado. Deve, também, corrigir com urbanidade e sem humilhação, e normalizar o erro corrigido, para que a verdade não seja a excepção.
Para identificação de sinais de manipulação, o eleitor deve olhar à linguagem de urgência, a apelos morais absolutos, a estatísticas sem origem, a imagens descontextualizadas e narrativas conspirativas. Explica a CNE que a urgência elimina o pensamento e força o impulso, ao passo que expressões como “isto é o fim” e “a nação está a morrer” não pretendem informar, mas usar o medo como arma de conformidade. Alerta, ainda, que teorias conspirativas explicam, mas sem provas, e atribuem intenção malévola a actores difusos.
Por fim, a Comissão Nacional de Eleições apela a uma cidadania activa, a que sejam feitas denúncias quando necessário, reportar abusos, solicitar fact-checking, e exigir transparência. Para tal, disponibiliza um formulário digital de submissão de denúncia de desinformação [aqui], com confidencialidade garantida, de acordo com o RGPD. Disponibiliza, também, um canal de WhatsApp, através do número 964 846 227.