Governo espanhol insta os seus cidadãos a abandonarem o Irão
O Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol recomendou hoje aos seus cidadãos que abandonem o Irão, onde a repressão dos protestos em massa fez pelo menos 3.500 mortos e mais de 10.000 detidos, segundo a organização Iran Human Rights.
"Os espanhóis que se encontram atualmente no Irão são aconselhados a abandonar o país por todos os meios disponíveis", pode ler-se na página na Internet do ministério, numa atualização das suas recomendações de viagem.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e de execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 mortes registadas nos protestos, alertando serem casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.
Em comunicado no 'website', a organização não-governamental (ONG), com sede em Oslo, indicou que a maioria das mortes (3.379) foi registada entre 08 e 12 de janeiro, segundo fontes consultadas do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, a que se somam vários milhares de feridos e pelo menos 10 mil detidos.
"Este número representa um mínimo absoluto. Novos relatos e testemunhos recebidos pela IHRNGO ilustram ainda mais a dimensão da violência", advertiu a ONG.
Os balanços de mortes nos protestos no Irão variam conforme as organizações, mas todos apontam para uma repressão em grande escala.
A Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA), sediada nos Estados Unidos, indicou pelo menos 2.571 mortes, enquanto a Iran International, uma emissora multilingue por satélite com sede em Londres, apontou na terça-feira o número de 12 mil vítimas mortais, "com base nos dados disponíveis e na verificação de informações obtidas de fontes fidedignas, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial".
A estação televisiva norte-americana CBS noticiou na terça-feira, a partir de duas fontes iranianas, que o número pode chegar aos 20 mil.
Todas as organizações iranianas e internacionais destacaram a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde a noite de quinta-feira.
A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez na terça-feira um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires", embora sem detalhar qualquer número.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.