Trump mantém em aberto opção de realizar ataques no Irão
O Presidente norte-americano, Donald Trump, está a considerar ataques aéreos no Irão para terminar a repressão do regime aos protestos que duram desde 28 de dezembro, destacou hoje a Casa Branca, garantindo que o caminho diplomático continua aberto.
A repressão dos protestos no Irão fez mais de 600 mortos desde o início das manifestações, segundo uma organização não-governamental (ONG), enquanto a República Islâmica enfrenta um dos maiores movimentos de protesto desde a sua proclamação em 1979.
"Uma coisa em que o Presidente Trump se destaca é em manter todas as opções em aberto. E os ataques aéreos são uma das muitas opções disponíveis para o comandante-chefe", frisou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos jornalistas.
Leavitt frisou, no entanto, que "a diplomacia ainda é a primeira opção do presidente".
Segundo a porta-voz da Casa Branca, continua aberto um canal diplomático com o Irão, com o regime a adotar um "tom muito diferente" em conversações privadas com o enviado norte-americano, Steve Witkoff.
"O que se ouve do regime iraniano é muito diferente das mensagens que a administração (norte-americana) recebe em privado, e penso que o Presidente quer examinar essas mensagens", acrescentou.
Donald Trump "não quer ver pessoas a serem mortas nas ruas de Teerão e, infelizmente, é isso que estamos a testemunhar agora", lembrou Karoline Leavitt.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão adiantou hoje que está aberto um canal de comunicação entre o Irão e Steve Witkoff, apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois países.
O regime procura retomar o controlo levando milhares dos seus apoiantes às ruas, depois de ter imposto um bloqueio total da Internet desde 08 de janeiro.
O Presidente norte-americano tinha anunciado no domingo que estava a ser preparada uma reunião com responsáveis iranianos, sem descartar a opção militar.
Em junho, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.
Também hoje, o Governo belga convocou o embaixador iraniano em Bruxelas para protestar contra a repressão das manifestações.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, denunciou as medidas implementadas pelas autoridades iranianas como uma tentativa de "reprimir um movimento que exige democracia, a legítima aspiração dos iranianos a uma vida melhor".
"Estou a acompanhar de perto a evolução da situação juntamente com os meus homólogos europeus. A Bélgica está preparada para discutir novas sanções europeias", acrescentou.
O anúncio de Bruxelas surgiu horas depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão ter convocado os embaixadores de países europeus como o Reino Unido, a Alemanha, a Itália e a França, mostrando-lhes um vídeo da "violência dos manifestantes" e exigindo a "retirada das declarações oficiais de apoio aos protestos".
De acordo com a organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO), sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes foram mortos desde 28 de dezembro em 14 províncias no Irão.
Entre os mortos, estão nove menores, indicou a organização não-governamental, que registou ainda milhares de feridos e estima que o número de detidos ultrapasse os dez mil.
Algumas estimativas, que a ONG não conseguiu verificar, sugerem um número de mortos bastante superior, atingindo mais de 6.000, acrescentou em comunicado divulgado no 'site'.