O Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro irá apresentar, dia 30 de Janeiro, às 16h30, o livro ‘Mapa do Peito’.
A iniciativa tem lugar na Assembleia Legislativa da Madeira, Espaço IDEIA e a obra pretende ‘ser’ “uma bússola para quem vive o cancro da mama, por dentro ou por perto.”
Na rubrica ‘Explicador’ de hoje, abordamos o tema do cancro da mama.
De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro da mama é, actualmente, a doença mais frequente entre as mulheres e a principal causa de morte por doença oncológica no sexo feminino. Em Portugal, são diagnosticados todos os anos cerca de nove mil novos casos, e mais de duas mil mulheres acabam por morrer em consequência desta patologia.
Tanto a incidência como a prevalência do cancro da mama têm vindo a aumentar de forma consistente. Este crescimento não se limita às faixas etárias mais jovens, verificando-se em todos os grupos de idade. Por um lado, o envelhecimento da população contribui para este cenário, uma vez que o cancro da mama é predominantemente uma doença pós-menopáusica.
Por outro, o aumento de casos entre mulheres mais jovens está relacionado com alterações nos estilos de vida, nomeadamente o sedentarismo, o excesso de peso e a obesidade, o consumo de álcool e o tabaco, a exposição prolongada a contraceptivos orais, a maternidade tardia e a redução do número de filhos.
Muitas doenças num nome só
O site do Hospital da Luz esclarece que o cancro da mama não corresponde a uma única entidade clínica, mas sim a um conjunto de doenças distintas. Desenvolve-se quando as células mamárias – quer dos ductos, por onde circula o leite produzido pela mama, quer dos lóbulos – começam a multiplicar-se de forma excessiva e desorganizada. Este crescimento anómalo dá origem a uma massa tumoral que, com a progressão da doença, pode invadir os tecidos adjacentes e disseminar células para outras partes do corpo.
Esta doença pode manifestar-se de várias maneiras, desde lesões milimétricas, ou mesmo microscópicas, até tumores em fases avançadas.
Existe, por isso, uma grande heterogeneidade relativamente no comportamento biológico dos tumores.
Para além destas diferenças, há também uma acentuada heterogeneidade no comportamento biológico dos tumores. Alguns apresentam características semelhantes às do tecido mamário normal, evoluem de forma mais lenta e respondem favoravelmente às terapêuticas hormonais. Outros, pelo contrário, exibem perfis de elevada agressividade, com maior capacidade de progressão e disseminação.
O tratamento
A decisão sobre o tratamento cabe, em última instância, à doente. Após a equipa médica apresentar uma proposta terapêutica sustentada na melhor evidencia científica disponível, a doente é quem tem a palavra final.
O percurso clínico tem início, na maioria dos casos, no médico de família ou nos ginecologistas e, após um exame de rastreio que levanta suspeitas, é pedida a realização de uma biópsia, exame que permite confiar a presença de uma lesão maligna.
Perante um diagnóstico positivo, a doente é encaminhada para uma consulta de senologia, onde são prescritos exames complementares de diagnóstico mais aprofundados. Estes exames permitem caracterizar o tumor e proceder ao estadiamento da doença. Com base nessa informação, o caso é analisado em reunião multidisciplinar, na qual são definidos os passos seguintes e delineada toda a estratégica terapêutica.
Na maioria das situações, o percurso terapêutico inicia-se com a consulta de cirurgia da mama e o tratamento começa pela intervenção cirúrgica. Consoante o caso, à cirurgia pode seguir-se, ou não, radioterapia e tratamento sistémico, como a quimioterapia.
O tratamento faz cair o cabelo?
Nem todos os tratamentos para o cancro da mama fazem cair o cabelo e, nos dias de hoje, segundo o site doo Hospital da Luz, já existem algumas estratégicas que previnem a queda do cabelo, que podem ser usadas em alguns casos, como o arrefecimento do couro cabeludo durante a infusão de quimioterapia.
Estas pessoas são doentes oncológicas para sempre?
Em oncologia, o tratamento activo é sempre seguido por um período de vigilância clínica, cuja duração e intensidade variam em função do risco de recidiva, cuja duração e intensidade variam em função do risco de recidiva e do comportamento biológico do tumor.
A maioria das doentes com cancro da mama de bom prognóstico recebe alta clínica após cinco anos de acompanhamento sem evidência de recidiva, desde que não subsistam sequelas que exijam cuidados especializados continuados.
No entanto, a alta clínica não significa o fim do acompanhamento médico. Pelo contrário, traduz-se na referenciação da doente para os cuidados do seu médico de família, acompanhada de um relatório clínico que indica os exames de vigilância mamária a manter, bem como recomendações relativas a estilos de vida e comportamentos promotores de saúde.
Prognóstico do cancro da mama
O prognóstico do cancro da mama tem registado uma evolução sem paralelo no panorama oncológico. Nas últimas décadas, o investimento na investigação desta patologia tem sido particularmente significativo, traduzindo-se no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, tanto ao nível dos medicamentos, como das técnicas cirúrgicas e da radioterapia.
Actualmente, o diagnóstico de um tumor avançado, metastático, implica tratamentos ao longo de vários anos, mantendo as doentes uma qualidade de vida bastante aceitável. Isto não era assim há, apenas, 20 anos.
Autoexame
Consiste na palpação, pela senhora, do seu próprio seio e axila, dos dois lados, idealmente com uma periodicidade mensal.
Deve ser feito em pé e à frente do espelho, para se perceber se existe uma assimetria ou repuxamento, se se nota algo diferente na mama ou na pele.
Deve também ser realizado nos primeiros 15 dias de ciclo menstrual, quando a mama está menos tensa e menos densa e é mais fácil sentir alguma irregularidade.
Importante, porém, é detectar lesões ainda antes de elas poderem ser sentidas à palpação. Por isso, sendo muito relevante para a senhora conhecer bem a sua mama, o autoexame não dispensa o rastreio.
Os homens também devem fazer o autoexame?
Todos nós devemos estar atentos aos sinais do corpo e fazer regularmente o autoexame da sua saúde.
Um nódulo que não existia, do tamanho de uma ervilha ou de um grão de arroz na mama ou axila, uma ferida na pele que não cicatriza a curto prazo, uma retracção do mamilo, sangramento ou a libertação de líquido do mamilo, e outros sintomais, são sinais que pedem a atenção de todos nós.
O diagnóstico precoce tem, imediatamente, duas vantagens. Assim que a doença é detectada no início, é muito mais fácil trata-la, preciso de menos tratamento e o mesmo pode ser menos agressivo e tóxico. Por outro lado, a doença tem muito melhor prognóstico.
Este Explicador contém informações do site Hospital da Luz