Jorge Pinto quer "passar para a ofensiva" para recuperar país "inclinado à direita"
O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje estar "farto de estar apenas na defensiva" e que "este é o momento de passar para a ofensiva", argumentando que é preciso recuperar o país por estar "tão inclinado à direita".
Num discurso no jantar-comício, na Academia Almadense, em Almada, Jorge Pinto disse que a sua candidatura existe porque a "República está em risco e precisa de ser defendida", mas acrescentou que está "farto de estar apenas na defensiva" e considerou que "este é o momento" de "passar para a ofensiva".
"Este é o momento, aqui, desde Almada, que vamos começar a dar a volta a isto. Vamos começar a recuperar o nosso país e trazê-lo de volta para onde ele deve estar. O país da liberdade, o país da democracia, o país da dignidade, o país, sim, da esquerda progressista, europeísta, ecologista, que todos nós aqui representamos", apelou perante uma sala cheia.
O candidato apoiado pelo Livre disse que "já basta de ter um país tão inclinado à direita", acrescentando que é preciso recuperá-lo e que a sua candidatura será a "mesmo a grande surpresa no dia 18".
Antes, Jorge Pinto declarou que "já é chegado o tempo de termos mais pessoas reais na política" e "menos personas, menos agências de comunicação que basicamente ditam palavra por palavra o que os outros candidatos vão dizer", pedindo "quem pense pela sua cabeça e fale pelas suas emoções, porque as emoções também são importantes na política".
Referindo-se a um artigo do semanário Expresso sobre como a polarização política pode dividir famílias e amizades, o candidato a Belém lamentou que a questão já tenha chegado a Portugal, mas pediu a quem o ouvia que não deixassem o ódio corromper as suas relações e valorizassem as discordâncias num regime democrático.
"Não esqueçamos nunca o que é a 'nuance', não esqueçamos nunca que mesmo discordando, mesmo às vezes discordando de uma maneira para lá da linha vermelha que se calhar deveríamos respeitar quando falamos com um amigo ou com um familiar, no dia a seguir os básicos regressam. Porque no dia a seguir aquela pessoa vai continuar a ser o nosso colega de trabalho, vai continuar a ser o nosso irmão, o nosso primo", enfatizou.
Jorge Pinto lamentou o que disse ser uma ascensão de discurso de ódio e racista, contando alguns testemunhos, para evidenciar que missão de quem quer representar o regime é dizer que "isto não é normal".
"Este não é o nosso país e nós não deixaremos que este seja o nosso país. Porque o nosso Portugal é e será sempre o Portugal de todas as cores", afirmou.
O candidato falou também da morte da norte-americana Renee Nicole Good, morta na quarta-feira por um agente dos serviços de imigração e alfândega (ICE), afirmando que se tratou de um assassinato gratuito e lamentando a atitude de um agente que terá "menosprezado, cuspido e pontapeado" o memorial organizado em homenagem da vítima.
Confessando-se com medo do que a "extrema-direita pode fazer" e de que este tipo de ações cheguem a Portugal, Jorge Pinto defendeu que esse medo não pode ser paralisante e dará "força para estar na rua" para dizer que "eles não vão passar".
Houve também espaço para falar novamente do voto útil, com Jorge Pinto a questionar os eleitores sobre que atitude querem ver premiada nestas eleições.
"Eu tenho ouvido muitas palavras de apoio nestas semanas em que estamos a correr o país. Palavras que me dizem 'o senhor foi a grande surpresa nesta eleição', 'finalmente alguém que faz política de uma maneira digna', 'finalmente alguém que na esquerda fala de novos assuntos' (...) E a essas pessoas eu faço um apelo: Aquilo que nós devemos premiar amanhã para quem votar antecipadamente e no dia 18, é esta nova maneira de fazer política", reforçou.