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Eleições Presidenciais Madeira

Miguel de Sousa apela a boicote madeirense

Comentador do 'Debate da Semana' da TSF também propõe manifestação junto ao Palácio de São Lourenço

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Ricardo Vieira admite "recado" popular e António Trindade antevê um "sofredor"

A semana foi marcada por dois assuntos: o novo modelo de Subsídio Social de Mobilidade e as consequentes velhas turbulências, bem como a intervenção dos EUA na Venezuela e o impacto da incerteza na importante comunidade madeirense que habita neste País. Ambos passaram pelas ‘Presidenciais’ e estiveram em destaque no ‘Debate da Semana’ em que intervieram  António Trindade, Miguel de Sousa e Ricardo Vieira.

Um programa em que Miguel de Sousa considerou os madeirenses demasiado brandos. “Nós somos brandos, não é só com as decisões centralistas, somos brandos com todos aqueles que nos agridem e que gozam com esta coisa toda. E nós normalmente deixamos passar. Eu acho que isto é a prova de que o madeirense nunca vai conseguir se emancipar e há-de ser sempre um pau mandado, porque não reclama e não protesta", observa.

Entende que o novo modelo do SSM - princípio que na sua óptica deveria ter outro nome pois "tem três termos desajustados", sugerindo Subsídio de Insularidade Constitucional e ser uniforme em toda a União Europeia que dita a coesão territorial - era motivo mais do que suficiente para se fazer uma manifestação. Julga ser ainda possível, “por estarmos todos de acordo” e fazê-la junto ao Palácio de São Lourenço, enquanto o representante diz que está a analisar o diploma, de modo a “fazer um bocado de barulho e se levantar a voz e a mão contra o Estado, as suas asneiradas e as suas prepotências".

No seu entender uma manifestação era o mínimo que se fazia. Até porque defende algo maior. “Se nós vivêssemos numa terra de gente civilizada, gente capaz, que gostasse de si própria, no dia 18 ninguém votava. Era boicotar as eleições para a Presidência  da República. Aquela gente não merece. Era boicote e eles iam repetir as eleições presidenciais na Madeira, como fazem naquelas juntas de freguesias e concelhos pelo país todo, quando há qualquer mínima discussão, protesto e desavença com a Lisboa, eles não votam e não deixam ninguém votar”, refere.

Se não houver qualquer reacção na Região, só prova que “nós não queremos nada, não merecemos nada, não vamos ter nada, que é o pior, e vamos ser sempre esta coisa de uns incapazes que não sabem lutar sequer por aquilo que têm direito”.

Para além de sugerir que importa “desestabilizar esta coisa toda”, garante que neste processo vai ver quem são os deputados da Madeira. “Porque pode haver alguns deputados que tenham nascido aqui, pode haver alguns deputados que tenham sido eleitos por partidos que estão para aqui, que fazem política aqui, onde eu pus o meu voto, provavelmente, mas não são deputados da Madeira, ou podem não ser deputados da Madeira”, alega.

Ricardo Vieira admite "recado" popular

Por seu lado, Ricardo Vieira, entende que as eleições presidenciais na Região podem reflectir a indignação reinante por causa das mudanças no SSM. "Acho que as pessoas vão aproveitar o voto para dar um recado", opina, tendo detectado que o termo "reciprocidade" pedida pelo Estado e usado pelo primeiro-ministro no último debate quinzenal, é bem revelador da prepotência reinante. "Imaginem o contrário. Como era se fôssemos nós pedir?", ironiza, deixando claro que o Governo da República comete mais um equívoco neste conturbado processo, pois ao abrigo da declaração de não dívida, faz passar a ideia que as receitas fiscais são da República e não da Região.

Ricardo Vieira também admite que no capítulo das várias reacções políticas, "o que há a fazer neste momento é propor na Assembleia da República uma alteração ao SSM". "Acho que se está a pensar nisso. É bom que se o faça rapidamente e que de facto se discuta na Assembleia da República, lembrando que o governo não está em maioria absoluta no Parlamento e é uma boa ocasião para se conseguir alterar a questão. Mas se for para mandar uma lei, na minha opinião, era mandar uma lei já com todos os aspectos, desde o não adiantamento a tudo, e a tudo na mesma lei e não fazer uma lei só sobre um aspecto", opina.

António Trindade antevê um "sofredor"

António Trindade não tem dúvidas que Marques Mendes vai sentir na pele as consequências do novo SSM, até porque decidiu andar de braço dado com Luís Montenegro. "Será o grande sofredor", refere ao analisar  um "dossier com falhas".

"Isto é um misto de sobranceria, é um misto de ignorância, é um misto de distracção, é um modelo errado, é o apelo às burocracias e é um grande problema de justiça", sublinha, lamentando que não tenha havido compreensão nacional por um tema que foi suficientemente discutido na praça pública.

Trindade entende que o episódio do ministro das Finanças, repleto de asneiradas, que depois foi assumido como "lapso", "vem sobretudo revelar as incompetências e sobretudo a falta de cuidado do governo da República no relacionamento com as regiões", temendo que esta mesquinhez e animosidade tenha reflexos na Revisão da Lei das Finanças Regionais.