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Manuel João Vieira candidata-se contra política que se "apalhaçou"

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FOTO ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Manuel João Vieira acredita que a sua eleição como Presidente da República seria um "limpar de olhos para a política nacional", que se "apalhaçou" e não tem "homens com a craveira que havia antigamente".

"Acordei um dia com um vídeo que me levou a fazer isso [candidatar-se à Presidência da República]. Um vídeo que falava sobre o 'Candidato Vieira' atrever-se a candidatar-se nestas eleições. E, a partir desse vídeo, percebi que havia esta nova questão do Portal da Candidatura e que era possível realmente fazer as coisas sem estar a correr desde a Mongólia até à Nova Zelândia", explicou, em entrevista à agência Lusa.

No caso do líder dos Ena Pá 2000, apenas à quinta foi de vez, com o músico a consumar finalmente a sua candidatura a Belém, anunciada sem sucesso nas quatro eleições anteriores, graças ao "apoio eletrónico".

A seu favor nesta corrida a Belém, Vieira afirma ter a inexperiência política. "E acho que seria ainda melhor se fosse Presidente da República, porque ver as coisas com olhos novos de quem nunca esteve sequer numa juventude partidária, acho que é capaz de ser um limpar de olhos para a política nacional", acrescentou.

Para o candidato presidencial, "a política apalhaçou-se completamente e tornou-se mais absurda", existindo "realmente figuras obscuras atrás das movimentações políticas".

"Tudo aquilo que era racional, aquilo que estava implícito nos acordos da ONU, no que era um Estado de Direito, transformou-se num 'não há direito'", afirmou, aludindo à situação internacional e ao "advento de São Donald Trump", o presidente dos Estados Unidos.

Com uma campanha caracterizada pela ironia e o humor, o músico de 63 anos admite tentar utilizar "uma linguagem diferente, uma linguagem que ultrapassa as outras linguagens no sentido metafórico, alegórico e, às vezes, mesmo no sentido direto", para tentar passar uma mensagem de que Portugal não é "um país de pobrezinhos, condenado a fazer sempre a mesma coisa".

"Nós estamos dentro de uma estrada e essa estrada está a ser, neste momento, quebrada no plano do direito internacional, está a ser quebrada no plano da saúde, está a ser quebrada no contrato social, e o que nós temos é um lameiro profundo, onde nem os bois conseguem pastar", alertou.

Assim, "neste Ferrari da política e da candidatura Vieira", o músico quer "retroceder um pouco, apanhar as coisas boas que Portugal" tem e teve ainda melhores no passado e "ir por essa rampa e ir ter ao outro lado".

"Nós queremos ir ter ao outro lado, queremos ultrapassar isto e queremos ultrapassar isto com a ciência e a tecnologia, mas também com o amor àquilo que é ser português e àquilo que é tipicamente português", assumiu.

Lembrando que aquilo que é simbólico e metafórico é "muito forte", o candidato reiterou a intenção de inscrever na Constituição o direito dos portugueses à felicidade, mas também à paisagem, "que é uma coisa que também está a ser destruída neste momento", e ainda de oferecer uma "mãe profissional", prometendo também "rever o contrato que não existe com as profissionais da noite e que deviam estar sindicalizadas e dentro de um quadro público, inclusive em termos de apoio de saúde".

Desistir a favor de um candidato antes de uma segunda volta é uma coisa que não "passa pela cabeça" de Manuel João Vieira, que só depois de 18 de janeiro e, caso não seja um dos dois mais votados, refletirá sobre quem apoiaria para a Presidência da República.

"O que se passa aqui na política portuguesa é sempre mais do mesmo, de facto. São pessoas que [...] têm pequeníssimas diferenças no plano da ação social. Mesmo assim as pequenas diferenças devem ser valorizadas, claro. Mas é sempre a mesma coisa desde o 25 de Abril. E, de facto, não temos homens com a craveira que havia antigamente", salientou.

O músico dos Ena Pá 2000 abordou ainda a campanha, marcada por ataques entre a maioria dos restantes 10 candidatos, dizendo não estar desiludido com o tom crispado da mesma.

"As pessoas esqueceram-se de que há debate e há debate, às vezes, de coisas muito comezinhas, muito pequeninas e há, sobretudo, aquela ideia de insistir muito numa ideia, insistir várias vezes, de bater várias vezes na mesma tecla, para as pessoas perceberem como se as pessoas fossem estúpidas. Ora, os portugueses não são estúpidos. E acho que os portugueses estão na posição de se elevar e de dar o salto para lá deste pardieiro", conclui.