ExxonMobil diz a Trump ser impossível investir agora e Repsol declara abertura
A petrolífera norte-americana ExxonMobil afirmou hoje ser "impossível investir" no setor petrolífero venezuelano no atual contexto, numa reunião com o Presidente Donald Trump em que a Repsol se mostrou disponível a reforçar investimentos no país sul-americano.
Para o presidente da ExxonMobil, Darren Woods, é "impossível investir" na Venezuela antes de "mudanças significativas" no país que Washington deseja colocar sob o seu controlo, depois de capturar o líder Nicolás Maduro numa operação militar em Caracas há uma semana.
"Os nossos bens foram confiscados duas vezes neste país, por isso podem imaginar que, para regressarmos uma terceira vez, seriam necessárias algumas mudanças bastante significativas", declarou Woods na reunião na Casa Branca com Trump.
"Se examinar as estruturas e os quadros legais e comerciais atualmente em vigor na Venezuela, verá que é impossível investir lá hoje", afirmou Darren Woods
Ainda assim, o executivo declarou-se "convencido" de que a situação poderia mudar graças à intervenção de Washington.
O CEO da Repsol, Josu Jon Imaz, disse a Trump que a empresa está preparada para "investir fortemente na Venezuela" e triplicar a sua produção de crude no país das Caraíbas, para aproximadamente 135.000 barris por dia.
"Estamos prontos para investir mais na Venezuela. Hoje produzimos 45 mil barris por dia, no total, e estamos prontos para triplicar este número nos próximos três anos, investindo fortemente no país", disse Imaz na Casa Branca perante Trump, vários membros do gabinete deste e representantes de quase vinte empresas petrolíferas.
"Obrigado por abrirem as portas a uma Venezuela melhor", disse Imaz a Trump durante a reunião.
A Repsol, adiantou, extrai com a parceira da Eni o gás usado na produção de metade do fornecimento de eletricidade da Venezuela, contribuindo para a estabilidade no país.
"Além disso, temos presença no terreno. Temos pessoal, instalações e capacidade técnica", concluiu o executivo.
A Repsol opera há mais de 30 anos na Venezuela, onde detém direitos de exploração, embora a maior parte do território permaneça inexplorada.
Em maio, o governo norte-americano revogou as licenças da Repsol para exportar petróleo bruto e derivados da Venezuela, tal como fez com a Eni e a norte-americana Global Oil Terminals, que operavam no país juntamente com a Chevron.
O governo norte-americano afirma agora estar pronto para levantar as sanções "seletivamente" para permitir que o petróleo venezuelano seja vendido no mercado tradicional.
Apesar da sua baixa produção atual devido à falta de investimento, Caracas possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267 mil milhões) e do Irão.
Segundo a Casa Branca, as empresas representadas na reunião são a Chevron, ExxonMobil, ConocoPhillips, Continental Halliburton, HKN, Valero, Marathon, Shell, Trafigura, Vitol Americas, Repsol, Eni, Aspect Holdings, Tallgrass, Raisa Energy e Hilcorp.
Apenas a Chevron detém atualmente uma licença na Venezuela, depois de a ExxonMobil e a ConocoPhillips terem abandonado o país em 2007, rejeitando as condições impostas pelo ex-Presidente Hugo Chávez para que o Estado se tornasse o acionista maioritário de todas as empresas.
Antes do início da reunião, Trump afirmou acreditar que as empresas petrolíferas estão prontas para investir "pelo menos 100 mil milhões de dólares" na Venezuela.
"Uma das razões pelas quais não podiam ir para lá (Venezuela) antes era a falta de garantias. Não havia segurança, mas agora têm segurança total", acrescentou Trum.
Os Estados Unidos, disse Trump, vão decidir que empresas petrolíferas terão licença para explorar os vastos recursos de hidrocarbonetos da Venezuela.
"Vocês negoceiam diretamente connosco, não negoceiam com a Venezuela de forma alguma, não queremos que negoceiem com a Venezuela", frisou.
Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Washington impôs um embargo petrolífero ao país, altamente dependente das suas exportações de petróleo.