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Regionais 2025 Madeira

Imaginem uma Madeira diferente do que tem sido até hoje

Miguel Silva Gouveia abordou os desafios da Madeira para o futuro, nomeadamente apontando a um plano a 10 anos

Foto Rui Silva/Aspress
Foto Rui Silva/Aspress

O último orador dos Estados Gerais do PS Madeira foi o ex-presidente da CMF e actual vereador, Miguel Silva Gouveia, que apontou aos próximos 10 anos como meta para que a Madeira deixe de estar dependente de terceiros e passe a ditar o seu próprio destino, que tenha recursos para ser autónoma. Começou por questionar se os presentes já imaginaram uma Madeira diferente do que tem sido até hoje, sujeita a humores e projectos pessoais.

Primeiro abordando a temática da administração pública, frisou que antigamente o sonho de qualquer pai era educar os seus filhos longe da droga, com cartão do partido e com um lugar na função pública. Hoje não é diferente, mas com ideias diferentes, pois um curso superior hoje é mais importante e a atracção dos jovens para a política está cada vez mais difícil, acreditando que a atracção dos jovens para administração pública também é cada vez mais difícil.

Porque a progressão na carreira é lenta e a avaliação é absoleta, mais dedicada a cumprir quotas do que a gerir o mérito. Além disso, o sector privado tem conseguido atrair mais recursos pois garantem maior capacidade de desenvolvimento da carreira. Além da questão do envelhecimento dos funcionários públicos, revelam que o acumular da desmotivação deve-se à absorção do salário mínimo por anos e anos de carreira, sobretudo os que ganham menos, cuja experiência não conta para nada.

Um em cada cinco trabalhadores da Madeira (28 mil em 160 mil) que custam 800 milhões de euros em despesa com pessoal, atirou. Significa que quase metade do orçamento regional vai para a despesa com pessoal. Defende a reforma da progressão na carreira, mobilidade interna flexibilizada para acabar com as ditas 'capelinhas'.

E porque a Madeira tem feito da promoção das obras públicas como motor de desenvolvimento regional, que têm impacto substancial no emprego indirecto, como a construção civil, engenharias e serviços especializados, e porque a Madeira vai precisar do sector empresarial para o seu desenvolvimento, Miguel Silva Gouveia entende que o sector público não pode ser adversário mas sim parceiro, promovendo parcerias público-privadas em várias valências que elencou.

Precisando de estratégia clara e concreta para os próximos 10 anos, em detrimento do actual contexto em que os planos de investimento são feitos ao ritmo dos programas de apoio comunitário, defendeu que é preciso perceber o que vai ser desta região quando as fontes de financiamento reduzirem inevitavelmente. Miguel Silva Gouveia entende, por isso, que um plano até 2035 fará com que não fiquemos sujeitos a factores externos como recentemente aconteceu com a pandemia.