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Mulheres na História da Madeira

Quantas vezes paramos para refletir sobre as mulheres que deixaram uma marca indelével na História?

Narrar, conhecer e lembrar a história das mulheres é romper o silêncio. Afirmar a sua participação e importância na sociedade. Para perceber a sua condição feminina, por exemplo, basta analisar a evolução humana desde a Pré-História presente na arte, literatura ou até mesmo em leis.

Durante séculos a mulher não esteve presente na narrativa histórica, quase sempre dominada pelo homem. É, agora, a hora de quebrar essa norma e aprender, conhecer e reconhecer.

Entre os nomes que merecem ser recordados e celebrados, destaca-se o de Constança Rodrigues, a esposa do navegador João Gonçalves Zarco, um dos descobridores do arquipélago da Madeira. Toda a gente sabe quem ele é, certo? E ela?

Embora muitas vezes obscurecida pelos feitos do seu marido, a história de Constança é digna de ser conhecida e reconhecida. Num tempo longínquo, aquando dos Descobrimentos Portugueses e marcado pela audácia dos navegadores, é fácil concentrar apenas nos homens que lideraram as expedições.

Constança Rodrigues, também conhecida como a Capitoa, acompanhou Zarco nas expedições à Madeira, tornando-se numa das primeiras povoadoras da ilha.

Apesar da pouca bibliografia, seria uma mulher santa, muito devota e analfabeta, mas nem por isso foi impedida de influenciar a sua nova casa. Crê-se que Constança participava ativamente na administração da ilha, envolvendo-se na produção do sal e do sabão.

Devota da bem-aventurada Santa Catarina, fez questão de ordenar a construção de uma pequena igreja em devoção à santa, quando chegou ao Funchal. Junto da pequena igreja, ordenou também a construção de pequenas casas para abrigar as mulheres mais pobres e as merceeiras, a quem deixava sempre esmola.

A igreja de que falo, hoje, situa-se no Parque de Santa Catarina, a olhar para o mar, a Capela de Santa Catarina e ela própria um símbolo do empoderamento feminino.

Mulher de boa vontade e preocupada, D. Constança, ordenou também agasalho aos frades da Ordem de São Francisco que vinham com o Capitão do Funchal. Mais tarde, seria construída a Igreja de São João Batista, acima da ribeira de Santa Catarina, que serviria de casa aos frades.

A sua presença ao lado do marido não era meramente decorativa, mas sim um testemunho do papel ativo que as mulheres desempenharam mesmo nos momentos mais difíceis da História. É importante reconhecer que a História não é feita apenas por grandes líderes e conquistadoras. Há, igualmente, conquistadoras!

Constança Rodrigues personifica essa verdade essencial na História da Madeira, lembrando que há sempre uma grande mulher por detrás dos acontecimentos históricos.

É hora de reconhecermos e celebrarmos plenamente o papel das mulheres na construção do nosso passado e moldagem do nosso futuro. Que a história de Constança nos inspire a valorizar todas as mulheres que contribuíram e ainda contribuem para o desenvolvimento da Madeira.