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Huthis rejeitam ser considerados terroristas

Foto MOHAMMED HUWAIS / AFP
Foto MOHAMMED HUWAIS / AFP

Os rebeldes huthis do Iémen rejeitam ser designados pelos Estados Unidos como "movimento terrorista" pelos ataques no Mar Vermelho e deram a entender que pretender levar a cabo novas ações em outras rotas marítimas.

"Consideraremos declaração de guerra qualquer ação que prejudique os interesses do Iémen, e o impedimento dos navios israelitas não se vai limitar apenas ao [Estreito de] Al Mandeb" no sul do Mar Vermelho, afirmou hoje o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do governo huthi, Husein al-Ezzi, através da rede social X.

O aviso ocorre depois de vários meios de comunicação social norte-americanos terem indicado que Washington está a considerar designar os huthis como "terroristas" e poucos dias depois de os Estados Unidos e do Reino Unido terem lançado bombardeamentos contra alvos militares iemenitas devido à ameaça ao comércio e à navegação no Mar Vermelho.

"A agressão dos Estados Unidos e do Reino Unido e o derramamento de sangue iemenita foram desnecessários. Vai ser o erro das vidas deles, a menos que (...) ponham fim aos crimes contra Gaza", acrescentou Ezzi.

Os huthis, que controlam grande parte do norte, centro e oeste do Iémen, incluindo portos como Al Hudeidah, desde 2014, foram designados como terroristas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump (2017-2021), que considerou o movimento xiita apoiado pelo Irão como uma organização terrorista.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anulou as medidas de Trump pouco depois de assumir o cargo, por recear o agravamento a crise humanitária no país árabe, em guerra desde que os huthis pegaram em armas contra o governo internacionalmente reconhecido, em 2014.

Tanto a designação de "terrorista" (SDGT - Specially Designated Global Terrorist) como a inclusão na lista FTO (Foreign Terrorist Organizations) - pelo Departamento de Estado norte-americano - implicam uma série de sanções, mas neste último caso são mais graves.

Ao contrário da listagem FTO, a designação SDGT não inclui sanções para os indivíduos ou empresas que fornecem apoio material aos huthis, uma decisão tomada para não agravar a crise humanitária.