Madeira

Terreno do Hospital Dr. Nélio Mendonça “era da Câmara Municipal" do Funchal

A garantia foi dada por Ricardo Vieira, que lembrou este dado antigo, no decorrer do programa 'Debate da Semana' na TSF-Madeira

None

Os comentadores do ‘Debate da Semana’ da TSF-Madeira entendem que a intenção de Miguel Albuquerque em vender o Hospital Dr. Nélio Mendonça, é um marcar de posição perante a República. Mas foi uma afirmação de Ricardo Vieira que marcou o programa exclusivo da TSF-M.

No início da semana passada, o presidente do Governo Regional afirmou que era sua ideia, uma vez terminado o novo Hospital Central da Madeira, desactivar o Hospital Dr. Nélio Mendonça e alienar o terreno e a estrutura. Algo que, aliás, já anteriormente tinha referido. O tema esteve em discussão no ‘Debate da Semana’ da TSF-Madeira, com Ricardo Vieira a lembrar um dado importante: o terreno do hospital era da Câmara Municipal do Funchal.

O terreno era da Câmara Municipal. É preciso não esquecer que quando o Estado, no anterior regime, fazia grandes infraestuturas, quando o Salazar fazia um palácio da justiça, um hospital, pedia às Câmaras para comprarem o terreno para instalar lá a infraestrutura. Era uma forma de as câmaras participarem também naquele investimento, e o caso do hospital foi assim. Ricardo Vieira

O advogado levantou, ainda, uma outra questão.

“Há uma lei regional que diz que só se deve vender o património público, quando fundamentadamente se provar que não tem qualquer utilidade que se possa dar”, explica, para acrescentar: “O Dr. Miguel Albuquerque está a pôr a carroça à frente dos bois.”

É da opinião de Ricardo Vieira que as declarações de Miguel Albuquerque “têm um objectivo político”, que é passar uma mensagem ao Governo da República.

“Não venha o Governo da República pensar que vai vender este hospital para ressarcir-se do que vai pagar pelo hospital novo”, assevera. Esta opinião é partilhada pelos comentadores Miguel de Sousa e António Trindade.

Isto partiu primeiro do António Costa, que dizia que pagava 50%, mas que uma das tranches era aliviada com a venda dos hospitais. Que aquilo não vai servir para hospital, estamos todos entendidos. Que aquilo e uma zona apetecível, que tem condições fantásticas para habitação, também não há dúvida. Para quem vai o dinheiro a seguir? Briguem. Mas, eu acho que o dinheiro é regional. Agora esta questão da câmara, aumenta a briga.  Miguel de Sousa

Quem também abordou o assunto foi António Trindade

Isto tem o objectivo único de marcar posição na sua relação com a República: ‘Não venham para aqui dizer que depois levam o dinheirinho’. Agora, estamos a falar de algo que vai acontecer daqui a 7, 8, 10 anos. A posição de Miguel Albuquerque fez-me lembrar a de um empresário que quer, com a sua empresa, fazer o plano de investimentos. Eu julgo que este hospital serve, agora, para centralizar tudo o que é serviços regionais, tudo o que é estruturas do governo. Vamos libertar toda esta estrutura imobiliária pertencente ao Governo da República. António Trindade

Veja o vídeo integral do 'Debate da Semana'