Comunidades Madeira

Carências na África do Sul podem ser mais graves

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Os 2 mil casos que o Governo da República estima encontrar em condição de carência social no projecto de mapeamento que está em curso “estão dentro da realidade" face ao universo de emigrantes radicados [205 mil] apontado pelo Estado, mas podem ser muitos mais porque a demografia de cidadãos lusos e descendentes pode ultrapassar meio milhão de pessoas. 

A constatação é do conselheiro das Comunidades Madeirenses, José Luís Silva e que o seu homólogo, José Nascimento corrobora aceitando comentar a noticia divulgada na edição impressa do DIÁRIO.

Ambos concordam que o envelhecimento provoca doenças e outros estados de saúde que requerem cuidados e poucos tem possibilidade de usufruírem desses cuidados. 

“Posso afirmar sem pejo que a comunidade sempre foi negligenciada, muito mesmo e não é por esse motivo que deixa de existir. Os problemas vão persistindo de geração em geração e o alheamento constatável por parte de governantes por representantes do PR, por executores da política do governo todos enveredaram pelo mesmo caminho e têm uma ideia desfasada da comunidade aqui residente”, acusa o representante das comunidades em Joanesburgo.

Num tom crítico, o empresário ligado ao sector do turismo, afirma que “as autoridades subtraem-se às suas responsabilidades a começar pelos repatriamentos e furtaram-se até há pouco tempo à atribuição de pensões e de subsídios mínimos a cidadãos que viveram, vivem, no limiar da pobreza em abjetas situações de indigência, sem assistência médica ou medicamentosa situações agravadas com a pandemia”. 

Já José Nascimento afina pelo mesmo diapasão: "Só tenho a elogiar a iniciativa, aliás foi das melhores que um Secretário de Estado fez à África do Sul, se calhar a melhor de todas, mas para quê esperar dois anos para entregar essas ajudas quando o Estado tem os cofres cheios de dinheiro? Dois anos podem ser muito tempo para esta gente", alerta.

O advogado também não acredita que o universo de emigrantes seja apenas de 205 mil portugueses. "Está muito longe desse universo e não percebo a razão de se insistir em diminuir o número da demografia lusa na África do Sul", reage.

Do outro lado, José Luis Silva sugere que os consulados sejam “dotados de verbas para assistência psicológica a vítimas da violência, o que não tem havido desde a algum tempo a esta parte”, bem como seja assegurado o diálogo entre representantes do governo com a comunidade “e não privilegiar algumas ONGs ou individuais que por vezes dão uma imagem distorcida da comunidade criando a “falsa impressão” de que não há necessidades não há faltas na comunidade. 

Já agora seria positivo que se começasse a atribuir gratuitamente a pessoas indigentes de parcas posses o passaporte que deixaram de renovar por falta de meios financeiros para que possam estar dentro da legalidade para que não sejam repatriadas por um ou outro oficial mais zeloso e evitar a todo o custo que vão parar aos centros de repatriamento. 

Hoje o DIÁRIO dá conta que o governo central levará a efeito o mapeamento da população em estado vulnerável por forma a adequar os serviços de apoio social do estado Português às necessidades actuais e futuras da comunidade.