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Os amanhãs que cantam

No meio disto tudo, fomos honrados com uma visita à Região do Sr. Ministro da Economia. Que veio recordar-nos de todas as ajudas que recebemos e das prebendas que nos concedeu

E pronto, está tudo resolvido! Hotéis com ocupações melhores do que em 2019; falta de pessoal para trabalhar em muitas funções, apesar do recorde nos números do desemprego; receitas que, pelo menos aparentemente, já resolveram os problemas que as empresas foram enfrentando durante longos 15 meses.

Razão teve o governo, o regional e o nacional, em não ligar às precipitações daqueles que, como eu, foram chamando a atenção para as consequências das decisões que foram sendo tomadas. Bastou, parece, um mês bom…

Mesmo os que falam de melhores ocupações do que em 2019 talvez se tenham esquecido das unidades que mantêm fechadas ou dos hotéis que têm requisitados mas também quem perguntou se esqueceu dos outros, aqueles que, ainda agora, não conseguiram reunir condições para reabrir e que devem ser péssimos, atendendo aos recordes nos lugares de avião disponíveis anunciados com cadência mensal.

Ninguém veio igualmente saber, àqueles que aguentaram em sofrimento o tal longo período de verdadeiro suplício e não resolveram nenhuma das suas questões com um mês de ocupação mais alta, como estavam e olhavam para o futuro. Nem tinham de vir; está resolvido!

No meio disto tudo, fomos honrados com uma visita à Região do Sr. Ministro da Economia. Que veio recordar-nos de todas as ajudas que recebemos e das prebendas que nos concedeu, não esquecendo evidentemente o esforço titânico do afinal seu parceiro regional, também ele fantástico.

Claro que se falou do PRR (assim abreviado para poupar caracteres) e do futuro que será ainda mais risonho e com mais amanhãs a cantar que nunca.

Garantiram ainda aos presentes, na mesma sala onde em Novembro se comprometeram a ajudar no pagamento do Subsídio de Natal, entre outros apoios a fundo perdido que de perdidos ficaram foi no tempo, que para obras públicas não iria nem um euro. Assim mesmo, sem esboçarem um sorriso e na presença da Comunicação Social, que evidentemente irá escrutinar a veracidade desta afirmação, que desde logo é contrariada por toda a documentação publicada até à data sobre a matéria mas que só a mim fez comichão!

Agora, com tudo resolvido à conta deste milagroso mês de Agosto, já nada me preocupa. O reinício do saque fiscal aí está à porta a comprovar que está tudo normal e que nada se passou. Nadinha de nada!

Quer dizer, uma ou outra preocupaçãozinha ainda mantenho mas isso é porque teimo em enfrentar a (minha) realidade. Sem dinheiro, sem poupanças e sem possibilidade de ir buscar dinheiro emprestado a parte nenhuma, como fazer para reabilitar o produto, adaptando-o a uma clientela que desceu quase 20 anos a sua idade média, para substituir equipamento que se estragou por falta de utilização ou para manter níveis de satisfação elevados?

De certeza que a preocupação é injustificada. Nada que um qualquer novo anúncio, aconchegado por umas declarações escolhidas a dedo no sector privado não resolvam…