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A tendência e o padrão

Em época de Copa do Mundo muito se falou do Cristiano Ronaldo com críticas sobre o fim da sua carreira como jogador e a consciência, que muitos achavam que ele deveria ter, da sua performance atual que se vai distanciando daquilo que todos bem conhecem. Messi, no futebol, Djokovic no ténis, entre outros, nesta e em outras modalidades, foram e continuam a ser outros exemplos de resiliência desportiva cuja motivação, disciplina e trabalho continuo, acrescentam valor à sua natural aptidão. A evolução da ciência desportiva acrescenta, através de novas tecnologias, a possibilidade de os atletas manterem as suas capacidades, com altos níveis de desempenho, até uma idade mais alargada. As maiores dificuldades surgem quando a vontade de continuar na performance desejada começa a confrontar-se com o natural desgaste físico resultante da idade real. Apesar da motivação e do empenho, há um tempo de mudança impossível de contrariar. Não há padrão nem idade especifica, apenas indicadores dos limites.

No tempo atual onde nos ensinam a sermos mais fortes do que as nossas reais possibilidades com discursos que nos estimulam a contrariar a passagem do tempo, considerando-a uma incapacidade e não uma evolução adaptativa, aceitar factos exige um esforço emocional profundo, por vezes e em determinadas circunstâncias, semelhante a um sentimento de inferioridade em relação a si próprio.

A realidade de que falo passa por todos nós durante o atual ciclo de vida. As mulheres no confronto com a menopausa e os homens nas diferentes adaptações ao seu processo de mudança. Conhecemos bem alguns mecanismos de fuga e tendência em anular a realidade e tentar inverter em vez de adaptar. A sociedade de consumo facilita este processo de fuga, em jeito de negação, na tentativa de vender soluções e poções mágicas que nos desviem da nossa natural condição. Esta é a tendência e o padrão.

Os atletas de que falo estão longe de estar a envelhecer, mas encontram-se num tempo em que já não lhes é possível ter desempenhos que tinham quando eram mais jovens. Contudo as suas características gerais de resiliência e autocontrole tem permitido manterem-se ativos com elevado nível de performance. São sem dúvida um exemplo de autodeterminação. Com as dificuldades inerentes a todo este processo vão ser capazes de parar, quando sentirem que esse é o tempo. Não de chegar ao fim, mas de adaptar e evoluir, simplesmente continuar.

De acordo com a tendência e o padrão, as críticas que fui lendo e ouvindo são absurdas por estarem fora da realidade de cada atleta centrando-se em interesses puramente pessoais e desconetados do que interessa, quando falamos de desporto e do seu significado na educação dos mais jovens. Se é para criticar então há muito em que pensar e agir. O que não faz sentido é tornar simples o que cada vez é mais complexo na realidade onde todos estamos integrados.

O exemplo de todos estes atletas deve estar acima dos seus resultados atuais, seja no desporto individual ou coletivo. São e vão continuar a ser um exemplo, não por ignorarem a chegada dos novos tempos, mas por serem excecionais na forma como os aceitam e não permitem que os condicione. Isto não é negar é adaptar. Não fogem às críticas, o que seria mais fácil, aceitam-nas e continuam a traçar o seu caminho.