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Vídeo arrepiante mostra ataque de apoiantes de Donald Trump ao Congresso dos EUA

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Um vídeo arrepiante, apresentado por procuradores durante o julgamento de Donald Trump, mostrou a entrada violenta de uma multidão no Capitólio, a partir vidros e portas e gritando ameaças ao vice-presidente e à presidente da Câmara dos Representantes.

As imagens mostram também agentes da polícia a pedirem ajuda pelos rádios.

As imagens divulgadas pelos procuradores do Congresso, que estão a dirigir o julgamento de Trump, revelam o quão perto os amotinados estiveram dos líderes dos EUA, enchendo os corredores enquanto cantavam "enforquem Mike Pence".

Entre os primeiros a entrar no Capitólio estavam uniformizados com roupa de combate e membros de grupos extremistas.

O vice-presidente Pence, que estava a presidir a sessão no Congresso para certificar a vitória eleitoral de Joe Biden sobre Trump, o que lhe valeu a censura deste, é mostrado a ser conduzido apressadamente para um local seguro com a sua família, a escassa distância dos invasores.

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, foi retirada do complexo, enquanto os seus colaboradores se escondiam atrás das portas.

Os agentes policiais, submersos pela multidão, gritavam de forma frenética "Perdemos a linha! Perdemos a linha" e aconselhavam-se a procurar segurança.

As imagens mostram um agente a ser esmagado pela multidão e os procuradores adiantaram que outro sofreu um ataque de coração. Um terceiro morreu mais tarde.

Se bem que muitos dos jurados do Senado já se decidiram em relação à absolvição ou condenação de Trump, a exibição das imagens, com a multidão a ocupar a câmara do Congresso onde decorre o julgamento, criou alguma comoção. Os gritos da gravação áudio encheram a sala.

"Eles fizeram isto porque Donald Trump os enviou com esta missão", afirmou o procurador Stacey Plaskett, um democrata eleito para a Câmara dos Representantes pelas Ilhas Virgens.

A apresentação destas imagens fortes abriu o primeiro dia de argumentos no julgamento, com os procuradores a defenderem que Trump não era um qualquer "espetador inocente", mas sim o "incitador-chefe" do mortífero ataque ao Congresso, alguém que passou meses a espalhar mentiras sobre as eleições e a construir uma multidão de apoiantes da sua intenção de impedir a vitória de Biden.

Os democratas da Câmara dos Representantes mostraram muitas provas oriundas do próprio Trump -- centenas de mensagens da rede social Twitter e comentários --, que culminaram no seu apelo de 06 de janeiro, para a multidão ir para o Capitólio e "lutar como nunca" para inverter a sua derrota.

Depois, Trump não fez o que quer que fosse para interromper a violência e assistiu com "alegria" ao ataque da multidão ao edifício, adiantaram. Cinco pessoas morreram.

Os senadores viram pela primeira vez na quinta-feira o vídeo de segurança que mostra em detalhe o ataque da multidão, ouvindo-se os apelos lancinantes da polícia do Capitólio.

"Para nós, isto parece caos e loucura, mas houve método na loucura deste dia", afirmou o representante Jamie Raskin, democrata leito pelo Estado do Maryland, que acusou Trump de ser o instigador dos atacantes.

"E quando a sua multidão atacou e ocupou o Senado e atacou a Câmara e atacou os agentes da polícia, ele via isto na televisão como se fosse um 'reality show'", acusou.

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